quinta-feira, agosto 30, 2007

Posse, liberdade e Amizade


Eram três amigos, Eros, Ágape e Philia que conversavam sobre o amor á beira do Rio Sofia:

Eros dizia:
Em meu coração não cabe dois amores, por isso quero o amor só para mim. Ela não pode partir, pois se for, partirá meu coração, levará tudo de mim. Ela é tudo: meu céu, meu mundo, meu chão, os quatro ventos, todos os cantos. Nunca mais amarei alguém como eu a amo. Se ela partir, terá levado de mim a minha felicidade, o meu brilho, a minha vida. Se ela se for, meu espelho não terá mais reflexo, meu céu estará nu de estrelas, a lua não ficará mais cheia. Ela pertence a mim e eu, há tempos, só vivo por ela.

Ágape respondeu:
Em meu coração cabe mil amores. Amá-la é como um prisma que reflete um arco íris de cores pelo mundo todo. Ela é livre para partir, assim como livre decidiu ficar e se ela notar que meu coração parece chorar, saberá que são lágrimas de alegria por tê-la conhecido, pois o que ela trouxe para o meu mundo, jamais sairá de mim. Ela é parte de tudo, assim como eu, vocês, qualquer outro, que em conjunto formamos tudo, esse mundo, esse céu, os quatro ventos, todos os cantos. Quando ela partir ( e sei que partirá, pois tudo na vida é movimento e mudança), ainda verei no espelho do meu peito, o seu reflexo. O céu ainda terá milhões de estrelas e em cada brilho, uma lembrança, um momento de nós dois, da aventura de amar ao seu lado. Memórias que carregarei comigo para todo o sempre, mesmo que eu nunca mais tenha a chance de vê-la novamente.

Philia ficou em silêncio, refletindo sobre o que dissera seus amigos e depois falou:
Em meu coração cabe tanto o amor fino quanto o amor passageiro. Amar uma mulher é desejá-la como quem quer o brilho do sol todos os dias e libertá-la como quem deixa o sol partir, pois a noite precisa chegar. Sem o desejo, não se chega ao amor incondicional. Sem o apego, não se aprende a deixar ir. Quando ela quiser partir, farei drama, não conseguirei dormir, mas com o tempo compreenderei que era hora de ir. Amar é libertar, mas ainda preciso aprender que o amor troca de face. E isso leva tempo. Até lá, o amor virtuoso e o amor do apego continuarão brigando dentro de mim, mas são partes necessárias de um todo que é tê-la ao meu lado. As estrelas e a lua que brilham independentes das lágrimas ou sorrisos do poeta, permanecerão me lembrando que juntos ou separados, ainda dormiremos, eu e ela, sob o mesmo céu da amizade eterna.

Frank

segunda-feira, agosto 27, 2007

Sete Palmos

Estavam todos em volta do corpo.

Minha mãe chorava, meu irmão tão faltante, calara. Familiares, amigos; rostos ausentes e só agora presentes em morte. Meu pai merecia como despedida, muito mais do que essa festa de lamentações. Esse choro todo em volta de um corpo oco, pois o que havia dentro já não reside por lá.

Quando alguém se vai, nada é o corpo além de um foto sem foco, vaga lembrança de alguém que já não habita por aqui. A dor, a saudade é natural no coração de quem fica, mas o apego ao cadáver é irracional, nesse luto que cega o coração com lágrimas amargas que não reconhecem que um ciclo dos muitos da vida acabou de acontecer.

O funeral deveria ser uma celebração, onde familiares e amigos revisam a leitura do livro de uma vida que acabou de se encerrar e não um show de horrores onde gritos, choros e lamentos celebram a nossa imaturidade em lidar com algo tão natural e certo na vida: a morte.

Sinto falta do meu velho, mas a última imagem que quero guardar no peito, não é o tronco oco e caído que todos estão velando, e sim a árvore que nos dava sombra, frutos e deixou em seus filhos, a semente do seu amor e continuidade da sua obra.

Prefiro me despedir enterrando os maus momentos e transformando os bons em flores que não serão despejadas no caixão e sim jogadas para o alto, á sete palmos do ar, nas asas do vento que suspira em meu ouvido: sintonize amor e esse amor chegará até o lugar onde seu pai foi morar.

Frank

quarta-feira, agosto 15, 2007

As Lágrimas e a Semente

Quando a notaram pela primeira vez, ela chorava na multidão. Eram tantos soluços e lamentações a sua volta, mas eles conseguiram perceber que ela chorava de um jeito diferente. Ela chorava de dircernimento.

Não é fácil distinguir um choro de outro num temporal de lamentações, mas quando se observa muita gente sofrendo, se passa a distinguir quem chora implorando por pena e
quem chora porque compreendeu o motivo de estar se sentindo assim.

Quando a gente entende por que chora e para de implorar a atenção e a energia do outro, as lágrimas limpam muito mais do que molham. É como se cada gota portasse uma palavra que sempre precisou ser ouvida, e o mais extraordinário é que essa enxurrada de palavras certas vem de dentro da gente.

Leva tempo para pararmos de sentir pena de nós mesmos e não envolver o mundo em nossos dramas, mas uma vez que isso ocorre, vem uma lucidez tão grande junto, que as
lágrimas deixam de ter tanta importãncia e se ainda insiste em cair é apenas para levar embora aquilo que não nos serve mais.

Foi por isso que eles conseguiram notar as lágrimas da moça na chuva. Foi por isso que ela obteve mais que atenção de quem podia ajudá-la, ela também ganhou respeito.

Toda vez que alguem tenta prestar socorro nesses lugares e ajudar quem realmente quer ser ajudado, os ataques surgem de todos os lados, mas não dá para nublar o
coração de quem carrega um sol constante consigo.

Certa vez perguntei a uma dessas pessoas, qual era o critério de ajuda naquele lugar ? Porque não ajudavámos todos de um vez ?

E eis o que me responderam:

¨Não há escolha e sim sintonia! Muitos choram, mas poucos querem aprender a sorrir.
Todas as pessoas recebem o nosso carinho e cuidado, mas nem todas estão preparadas realmente para querer mudar. E há pessoas preparadas para receber o alimento e outras
para plantar. Embora ambas estejam famintas, há uma grande diferença entre elas. Quem recebe alimento e não se esforça para obtê-lo, vê na fome a principal aliada;
porém quem esta faminto, mas percebe também que pode plantar, recebe o alimento e não desperdiça a semente.¨


Frank

sexta-feira, agosto 10, 2007

O Passe do Bebê ( Feliz Dia dos Pais)

Era tarde da noite, quando em meio a uma preocupação ou outra, tomei um banho e tentei relaxar. Tarefas não terminadas no serviço, cobrança do chefe, colegas de trabalhos invejosos e outros fantasmas faziam festa na minha mente e tulmutuavam meu coração. Enquanto a água caia e banhava meu corpo, pensei no quanto a vida às vezes te leva a corredores que parecem sem saída e o quanto a gente perde tempo tentando encontrar uma solução para um problema que não vai significar coisa alguma em alguns dias adiante. Sabia que eram essas preocupações e o stress que isso causava que poderia fazer o meu corpo adoecer, e pensando em controlar isso, sai do banheiro e fui pro quarto, onde minha esposa, grávida de sete meses, repousava.

Fiquei observando-a por alguns minutos e meu coração foi se enchendo de felicidade. Lá fora, a rotina do dia-a-dia podia estar me matando, mas em casa, eu tinha abrigo em seus braços, sentia-me fortalecido com o seu amor e meu horizonte se enchia de esperança com a nossa filhinha que estava prestes a chegar nesse mundo.

Fiquei observando-a dormir por mais alguns minutos, até que ela acordou e como se soubesse que eu não estava tão bem, disse: Estava sonhando com a nossa filha! Ela estava preocupada com você.

- Esta tudo bem! Respondi

- Por que não diz isso a ela? Minha esposa sugeriu e eu encostei minha mão direita em sua barriga, sentindo meu bebe flutuando por lá.

- Não se preocupe filha. O pai esta bem! - Dizendo isso, fechei os olhos e tentei ao mesmo tempo em que me comunicava com ela, passar através da minha mão, tudo de bom que eu pudesse sentir, todas as coisas bacanas que eu podia pensar; para que ela não se preocupasse com o pai; para que ela sentisse que tudo estava bem; porem ao invés de sentir que passava a minha energia para ela, comecei a perceber que era eu que estava recebendo energia. Com os olhos fechados, sentia que era da barriga da minha esposa que estava sendo emanada uma energia douradinha, suave, recheada de muita paz, quietude e amor. Era o meu bebê que estava dando um passe em mim!

Minha esposa sentiu que algo estava ocorrendo, mas eu não conseguia dizer nada; só fiquei ali sentindo aquele carinho que não tem nome, que não se descreve. Amor de uma filha que nem havia ainda nascido para o seu pai, que emocionado chorava como uma criança.

Naquele momento senti o quanto estava perdendo o meu tempo com coisas ilusórias, passageiras. Os problemas no serviço deveriam ficar por lá, e não estarem ao meu lado no templo da minha casa, no nosso solo sagrado; onde eu deveria ocupar os meus pensamentos com o amor da minha família.

Que sono tranqüilo tive aquela madrugada e como tudo o que sentira na noite anterior se tornara tão pequeno ao nascer daquela manhã. Antes de ir trabalhar, beijei minha esposa, e novamente me comuniquei com a minha amparadora: “Minha neném, obrigado por mais uma vez ajudar o papai.”


Frank
23 de Maio de 2005
http://cronicasdofrank.blogspot.com/


Os: Dedico esse texto ao amigo Olavo Borges e a sua filhinha. Escrevi essas linhas, enquanto lembrava de uma conversa que tivemos no Solo Sagrado, num dos Encontros Voadores, onde ele me contou que certa vez ao tentar dar um passe de energia a filha, foi ele que tomou o passe da menina. O carinho do Olavo pela filha é tão contagiante que inspira a gente a seguir seus passos. Oxalá que um dia eu seja um pai tão dedicado a meus filhos quanto ele é pela sua família.

quinta-feira, agosto 09, 2007

TERRESTRES E EXTRATERRESTRES – IRMÃOS NA GRANDE LUZ

- por Wagner Borges -

Um dos grandes sonhos da humanidade é o de viajar para além da Terra...
Conhecer as estrelas e desvendar os mistérios siderais. Porém, o homem mal conhece a si mesmo. Quer viajar para fora do planeta, mas, sequer descobriu como viajar por dentro de si mesmo.

Atualmente, fala-se muito de Multiverso e de tantas outras possibilidades no infinito da vida... Contudo, são bem poucos os que notam os “muitos versos” que se desdobram no Multiverso do coração.

O homem é capaz de se admirar olhando para o céu coalhado de estrelas; no entanto, também é capaz de toldar o céu de seu próprio coração com pesadas nuvens de mágoa e incompreensão. Por causa disso, muitos sonham com a descida de divindades, anjos, espíritos, mestres ou extraterrestres, na esperança de que eles tragam a solução para o vazio consciencial de suas vidas.

Porém, de que adiantaria a presença de algum ser celeste, por fora, se o coração do homem for miserável, por dentro?

Então, muitos esperam a salvação descer do céu, mesmo que o céu de seus corações permaneça sujo e nublado de medo e egoísmo.

Fico pensando que, um dia, quando houver algum contato direto com outras raças do universo, talvez o lance não role do jeito que muitos esperam. Talvez os visitantes estelares venham apenas ensinar aquilo que o coração de cada um já vem tentando dizer, há muito tempo:

- É preciso crescer!

- Felicidade é um estado de consciência.

- A consciência é imortal.

- Cada ser é centelha vital do Todo que está em tudo.

- Tudo o que vive é seu próximo.

- É preciso amar, viver, sorrir e seguir...”

Também torço para que esse dia tão esperado chegue logo. Não para que alguém das estrelas me salve de minha própria ignorância, não! Isso é responsabilidade minha mesmo. Mas para que eu encontre brilhando nos olhos extraterrestres, o mesmo brilho que já brilha nos olhos de cada terrestre.

Sim, quero ver neles, independentemente de suas formas ou do lugar que venham, o mesmo brilho do Eterno que habita em todos os seres.

Quero chamá-los de irmãos queridos, dançar e brincar com eles, como igual.

Não quero ser salvo por ninguém!

Não é necessário, pois isso é tarefa minha e faz parte do meu aprendizado como consciência viva. E, no final das contas, talvez os nossos irmãos siderais apenas digam:

“Segue o seu coração... e seja feliz!”

P.S.: Terrestres ou extraterrestres, encarnados ou desencarnados, todos nós viemos da grande luz. O TODO ESTÁ EM TUDO!

Paz e Luz.

São Paulo, 24 de junho de 2007.


Nota: Esse texto foi escrito durante o Seminário Especial de Ufologia,Ciência e Espiritualidade, que ocorreu em junho de 2007, em São Paulo, onde eu fui um dos palestrantes.

Para mais informações sobre o Professor Wagner Borges e o IPPB (Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas) , acessse o site:
http://www.ippb.org.br/

E Se Tudo o que Acredito fosse Mentira

Dênis não entendia porque João tinha tanta certeza e confiança nesse tal mundo espiritual. Ele não entendia como alguém tão sensato e inteligente como seu amigo poderia acreditar nessas bobagens misticas que pipocam por aí.

- João, vamos lá. Você realmente acredita nessas bobagens que você lê tanto? Esse negócio de viagem astral, aura, chacras e espiríto para mim é pura piração?

- Eu já te falei, que eu não acredito, Dênis, eu tenho certeza!

- Tá bom! Mas e se você descobrisse que tudo o que você acredita, quero dizer, tem certeza é uma furada? Sei lá, e se os cientistas finalmente descobrissem que Deus não existe coisa alguma e todos esses mestres e gurus são uns alienados pregando ilusão coletiva, como você reagiria?

- Eu não sei por que você vive tentando me convencer das suas incertezas. Não posso e nem quero te convencer de nada que sinto, mas se eu descobrisse que tudo o que aprendi e experimentei foi pura imaginação, crença ou sugestão mental, eu continuaria tentando ser uma pessoa melhor a cada dia e tratando os outros como eu gostaria de ser tratado. Nunca fiz isso esperando o céu e mesmo se descobrisse que não há nada depois da morte, não diminuiria em nada a minha vontade de crescer e aprender. Mesmo se Deus não existisse, é inégavel que o fato de estarmos aqui vivos é um grande milagre da vida, e por isso, somente por isso, já temos motivos suficiente para seguirmos em frente com um sorriso no rosto constantemente.

Frank

Gandhiji

A multidão á sua frente se gladeava, seguravam bandeiras e cuspiam palavras de ódio, mas ele continuava sorrindo. Calçado apenas com um par de sandálias, ele pisava na lama e seguia em frente. O mais incrível é que todos lhe davam passagem, como se não ousassem continuar a brigar em sua presença. Pequeno e magrinho, ele quase desaparecia no meio daquele povo. Era como se um anão tentasse separar a briga de gigantes, mas a fúria da multidao enfurecida ia diminuindo.

Calmamente, ele se posicionou á frente dos lideres da disputa e os dois marmanjos cairam de joelhos, chorando como crianças ao se verem refletidos nos olhos daquele homem. Ele, então, tocou a cabeça de cada um, acalmando e confortando-os, enquanto sua equipe de apoio se aproximava e os levavam dali.

Não foi dito uma única palavra. Não houve evangelização, nem lições de moral, apenas olhar e sorriso. A multidão acalmou e chorou copiosamente como se aquele homem fosse um espelho em que elas pudessem ver o reflexo do que se tornaram.

Na terra ele foi chamado de Grande Alma, mas ali todos o chamam de Gandhinho.

Frank Oliveira

domingo, agosto 05, 2007

Vacas Magras

- Estou realmente chegando à conclusão que Deus não existe! – disse Ana, olhos
lacrimejados, decepção estampada no rosto – Começo a achar que tudo isso não passa de uma ilusão.

Respirei fundo, não pensava em convencer Ana ou dizer algo que a fizesse mudar de idéia, afinal, também tenha minhas dúvidas. Porém, o que me preocupava era que Ana não era uma pessoa cética ou sem acesso ao conhecimento de como as coisas funcionam, pelo contrário, ela era alguém profundamente espiritualizada, mas fragilizada por uma decepção. Um pedido não realizado; um milagre que não ocorrera.

- Eu não vou tentar te convencer, mas acho que não é bem assim...

- Prefiro questionar mil vezes a continuar bancando a tola. Você nunca se perguntou sobre a possibilidade de tudo isso que estamos experimentando ser crença, alienação, auto-hipnose ou qualquer outro truque mental aliando nossa fome de acreditar em algo por uma divindade que nunca existiu?

Sim! Já tinha pensando nisso inúmeras vezes. E se tudo fosse ilusão? Mas toda vez em que chegava nessa fase, eu sempre tentava avaliar minhas experiências e voltava a ter certeza do que acreditava. O mundo era maravilhoso demais para ter sido obra do acaso. Havia um criador, um Arquiteto por trás de tanta coisa bonita, mas era uma certeza intima que tinha e se tinha aprendido alguma coisa, depois de tanto tempo estudando religiões era que fé era uma questão individual e cabia a cada um buscar essa certeza dentro do seu próprio coração.

- Ana, pensa bem. Não é justo matar Deus porque ele não fez o que pedimos…

Pedir algo a Deus ? Já fazia anos que eu não me via barganhando com Deus um milagrezinho. Afinal, eu tinha tanto mais para agradecer e toda vez que dava aquela vontade de pedir que Ele alterasse minha conta bancária ou pagasse as minhas contas, juro que batia uma vergonha tremenda. Havia tanto problema maior no mundo. Se Deus pudesse descer do céu para satisfazer algum desejo, como um gênio da lâmpada, não seria melhor pedir a paz na terra ou água encanada pro nordeste?

Não! Não dava para pedir nada pra mim, mas naquela vez tinha sido diferente, especial. Havia um amigo doente, terminal e só um milagre o poderia ajudar. Ana me chamou, certa tarde, e pediu que orassemos juntos pela recuperação dele. Foi um momento forte de fé e quando acabamos, olhamos um pro outro e dizemos numa única voz: Fomos ouvidos!

Não fomos! O milagre nunca ocorreu. Deus não desceu do céu, nem mandou nenhum anjo para alterar nossa situação. Não houve milagre. O nosso pedido não foi escutado: O amigo se foi.

Ana ficou inconsolável nos primeiros dias, até que a decepção virou revolta.

- Você sabe que nunca pedi nada para mim,mas depois de tudo o que fizemos de bom, não seria justo conseguir isso? – Ela disse.

- E desde quando existe um banco das “boas ações”? Deveríamos fazer algo, sem querer nada em troca, não é?

- Eu sei, mas eu achei que merecíamos pelo menos essa intervenção, esse milagre... Sempre agradeci em minhas orações e se pedi algo sempre foi para que ocorresse o melhor para o nosso crescimento ou de alguém. Como não fomos atendidos?

- E como saber que o melhor não ocorreu? – eu disse - E se foi melhor não ter ocorrido nenhum milagre?

- Como foi melhor assim? Você realmente acha que essa situação é justa? Ontem, eu tinha certeza que Deus faria algo, que iria ocorrer o contrário do que ocorreu, hoje percebo que apenas me enganei.

- Ana, parar de ficar pedindo é indício de maturidade espiritual. Como saber o que é melhor para nós ou alguém? Não temos lucidez suficiente para saber o que é melhor para os outros. Não temos como olhar de fora e sacar que foi melhor não ter isso ou aquilo, especialmente quando fomos nós que não conseguimos o que queríamos. Às vezes uma queda é a oportunidade perfeita para recobrar as forças e partir pra uma nova tentativa. Não dá para controlar o universo e fazê-lo funcionar ao nosso gosto.

- Você quer dizer que se há alguém doente, não devemos pedir a Deus a sua melhora?

- Claro que podemos, mas a melhora às vezes não é exatamente aquilo que temos em mente. Talvez ao pedirmos uma cura, estamos apenas querendo egoistamente manter alguém aqui que já deveria ter partido. Não sabemos o que é melhor ou o que deve acontecer. Pedir não significa que as coisas ocorrerão da forma que queremos. Deus sabe o que é melhor, sabe o que faz e quando fazer.

- Então, para quê se importar? Que importa tentar ajudar alguém se Deus vai fazer do seu jeito, de qualquer forma? Para quê fazer algo ou se importar se a nossa ação não resultará em nada?

- Porque talvez NÓS sejamos o milagre. Todo mundo vive dizendo que Deus não existe porque se existisse não permitiria uma criança morrer de fome na África, mas o que fazemos? Passamos todo o nosso tempo pedindo que Ele faça alguma coisa.

- Mas eu fiz tudo o que eu podia e não foi suficiente. Por isso eu pedi.Se eu não puder pedir que Ele me ajude, que diferença faz ?

- Caramba, Ana! Faz toda diferença! O teu sorriso pode não ter o poder de parar a dor de quem sofre, mas pode ajudar a pessoa a suportar essa dor de uma maneira melhor. O teu carinho pode não construir uma ponte para outra pessoa atravessar de um lado para o outro, mas pode dar forças suficiente para que essa pessoa construa sua própria ponte e atravesse. Pedir por alguém ou pela gente, não é dizer a Deus o que fazer e sim reafirmar a nossa fé que tudo no final dará certo, de uma maneira ou de outra.

" Deus não vai surgir aqui e mudar o mundo do jeito que a gente quer. O melhor para esse mundo vai ocorrer, quer a gente goste disso ou não, ou compreenda. O fato de você acreditar em uma força maior não fará muita diferença no universo, mas vai fazer muito na sua vida e uma coisa eu te garanto, tudo isso serve para provar o quanto temos uma capacidade enorme de esquecer o que já recebemos de milagres. Perco as contas de quantas vezes, queríamos algo e isso veio parar misteriosamente em nossas mãos; mas basta um único pedido não realizado ou uma resposta negativa ao que queremos para que comecemos a negar tudo aquilo que acreditamos antes."

" É muito triste saber o quanto somos condicionados a acreditar em Deus nos momentos bacanas, mas basta o primeiro sinal de vacas magras para virarmos as costas para a crença que dizíamos ser certeza. Talvez pedir o melhor para o crescimento de outra pessoa, Ana, seja crescer internamente para sabermos aproveitar o melhor de cada situação, quer seja as coisas que nos fazem sorrir, quer seja o que nos faz chorar."


Frank

sexta-feira, agosto 03, 2007

ENTRE IDÉIAS - ENTRE OUTRAS COISAS...

O verbo se fez Criação,
E, na voz do Criador, o OM.
o Todo numa só voz;
O Universo numa só e única vibração.

Entre o dia e a noite, muitas fases.
Entre o frio e o calor, os sentidos.
Entre o sol e a lua, o complemento.
Entre o amor e ódio, a proximidade.

(Ou o infinito, tornando-os distantes).

Como o Ying e o Yang, numa fusão.
Ambos ligados, com uma separação.
Vibrando opostos, como num só coração.
Que não entende, como é possível viver em ilusão.

Entre querer e poder, a permissão.

Entre sorrir e chorar, o sentimento.

Entre ser feliz ou não, a opção.

Entre a mãe e o filho, o acalanto.



Entre a mansuetude e a agitação, o equilíbrio;
Os dois lados de uma mesma moeda,
Como se a cara e a coroa se unissem,
Nos opostos que se completam.

Entre o certo e o errado, o julgamento.

Entre o bom e o ruim, sua interpretação.

Entre o amor e o amigo, o momento.

Entre tentar e fazer, a ação.



Entre aceitar e entender, existe distância.

Entre conhecer e saber, maior distância ainda...

Entre a saudade e a dor, a consciência.

Entre eu e você, escritor e leitor, estas linhas.


Autor: Fernando Golfar
Um grande amigo e escritor das coisas do coração.Para mais textos do autor, acesse:
http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=Sections&file=index&req=viewarticle&artid=96&page=1
Ou
http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=24

quarta-feira, agosto 01, 2007

O Novo

Não havia diferença entre o brilho das estrelas e o seu olhar.

Ela estava linda, mas não era por suas roupas ou pela maneira que ela fizera o cabelo; não era o seu sorriso de ponta a ponta ou o entusiasmo na sua voz; era o olhar. Aquele olhar de quem está tão feliz que não para de irradiar luz para todos e tudo a sua volta; olhar de supernova prestes a explodir de felicidade.

- O que aconteceu? – perguntei, curioso em descobrir o que havia escondido por trás do brilho do seu olhar.

- O novo! – ela respondeu – As novas experiências.

E eu com medo das mudanças...
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