domingo, junho 24, 2007

Espelho

Momentos perfeitos não precisam ser acompanhados por beijo
Ou dobrar de lençóis no leito

Momento perfeitos ocorrem sem jeito
E quando ocorrem, não dá para compreender por inteiro

Podem ocorrer na cidade, no campo, nas montanhas ou em qualquer vilarejo
Não há lugar certo; nem hora certa para que a canção seja ecoada no peito

Momentos perfeitos ocorrem quando o amor envia o seu mensageiro
Aquele traquino Cupido e seu arco e flecha certeiro

O coração então é flechado e espelho se cria no olhar alheio
E só em estarem juntos, o momento em si já se faz perfeito.

Ele ou Ela?


- Como você está bonita.
- Quem é ele?
- Como se chama?

Ela sorri e responde:
- Não é ele, caras amigas, é ela!

- Como assim?
- Ela?
- Eu não sabia que você era...

- Sim, é verdade – ela responde sorrindo, para horror das amigas – Estou apaixonada por ela.

- É alguém que conhecemos?
- Onde mora?
- Qual o nome dela?

- Vocês a conhecem, mas poucas reparam nela – ela responde com entusiasmo– Ela se chama Vida!

Três Sujeitos

Cheia de contrastes, São Paulo fascina e assusta. Sinto uma mistura de orgulho e repulsa por viver nessa cidade tão madrasta que tão bem me acolheu.

Já tentei fugir, mas sempre acabo voltando para os seus braços. Acabei aceitando que sou dependente de sua feiúra tão bonita; de seus bairros que se alastram como se fossem um organismo vivo; de suas ruas sujas recheadas de gente tão valente e trabalhadora; do céu poluído refletido nas janelas espelhadas de seus arranha-céus e dos sonhos cuspidos pelo olhar de seus viajantes que passam mais tempo em trânsito, indo e vindo de suas casas para o trabalho do que aproveitando o preço que pagam por morar nessa metrópole tão querida.

Por onde quer que eu vá, tento ler o olhar dessas pessoas da minha terra. Sim, São Paulo é a minha terra emprestada, o pedaço de chão que insisto em querer chamar de meu e olho para os tantos desconhecidos com seus rostos e sonhos tão familiares e quase posso ver imagens saindo de seus olhos e rodopiando pelo espaço pequeno que os separam do outro, no ônibus ou no metrô. Quase posso ver os sonhos saltando do olhar do migrante, do estrangeiro, da garota que carrega seus livros de encontro ao peito, do executivo com pressa de se trancar no escritório.

Por onde quer que eu vá, procuro esconder o medo que sinto com a aproximação brusca de um desconhecido; do moleque que me pede uns trocados ou do moto boy que bate no vidro do carro me avisando da porta que esqueci de fechar.

Às vezes acho que esse medo é exagerado, às vezes acho que amo odiar a minha cidade; às vezes me pego a descrevendo como se fosse Shangri-lá, outras vezes, sem medo, caminho distraído, sentindo-me como se estivesse andando nas ruas de Santa Rita do Passa Quatro e passam dois sujeitos suspeitos ao meu lado, sou preterido, pois eles avançam sobre outro sujeito á minha frente, sujeito carregando sacolas e um celular no ouvido. Tudo acontece muito rápido: a abordagem, a reação, o tiro, o grito, dois sujeitos correndo e um terceiro no chão...

Essa São Paulo de contrastes me fascina, mas infelizmente assusta mais ainda.

terça-feira, junho 12, 2007

Feliz Dia dos Namorados e dos Amigos ( Um grande abraço do amigo Frank)

“Ufa, o dia dos namorados passou!” dirão os solteiros. “Eu queria que todos os dias fossem dias dos namorados” dirão os apaixonados; “ dia dos namorados??? Quando???” perguntarão os esquecidos ( namorados, noivos e maridos que não só queriam, como acreditam que todos os dias são para namorar e nenhum deles deveria envolver presente - as mulheres, noivas e namoradas não esquecem, nem da data, nem dos presentes que deveriam ser recebidos); mas além dos presentes, do carinho trocado, do esquecimento e da solidão que aperta ainda mais no peito dos solitários nessa data, o Dia dos Namorados é acima de tudo, um dia para celebrar a amizade.

Sim, isso mesmo, aqui no Brasil, essa idéia não é tão difundida ( aliás o Brasil é um dos únicos lugares do mundo onde comemoramos essa data no dia 12 de Junho e não em 14 de Fevereiro), mas é muito comum em outros cantos desse planetinha, amigos trocarem cartões e presentes nesse dia. Assim, de certa forma, ninguém acaba se sentindo sozinho e uma data como essa se torna uma grande oportunidade para rever quem gostamos e recebermos carinho das pessoas que se importam com a gente( mesmo quando não estamos saindo com ninguém). O fato é que é sempre bom lembrar a importância de nossos amigos, afinal, amizade também é um relacionamento muito importante na nossa vida e nossos amigos ocupam um papel às vezes, até mais importante do que aquele paquera ou a namoradinha ou namoradinho que vive nos dando mais motivos pra chorar que rir.

“Mas o Dia da Amizade, já existe” dirão aqueles já cansados de tanta data comemorativa, “o dia dos namorados deve ser só para os namorados”. Tudo bem, mas se olharmos bem o significado da palavra “namorar” temos: "sentir amor por alguém, e inspirá-lo a alguém". E não é assim, que certos amigos nos fazem sentir? Será que não existe amor entre amigos? Será que uma amizade não tem o poder de te inspirar?

Por isso, nesse dia desejo a todos os meus amigos: um Feliz Dia dos Namorados e dos Amigos

Frank

terça-feira, junho 05, 2007

100 % Negro

O teste foi feito por pura brincadeira. Nem por um momento, ele acreditava naquele papo de genética que estava estampado em todos os jornais e revistas sobre negros e brancos; mas ele precisava ver pra crer e foi fazer um teste de DNA, maldita foi a hora que tomou essa decisão. Ele era "100% negro" e gritava isso com orgulho em suas músicas e na camiseta que usava em seus shows. Era afro-brasileiro, favelado, pobre, que fugira das drogas em nome da arte. Gostava de contar nos shows como escolhera o caminho da música enquanto muitos "outros manos" acabaram mortos sob a bandeira do tráfico. Tinha orgulho da sua origem, da cor da sua pele, mas aquele exame poderia colocar tudo a perder.

85% de descendência branca? Como assim? Tudo bem que sua mãe era mulata e seu avô que só conhecia de foto era um pouquinho mais claro; mas e os genes do seu pai, aquele "negão de 02 metros"? Não! Deveria ser algum engano. Alguma conspiração da elite branca para convencer o mundo sobre a supremacia européia. Deveria ser engano, como 85% de descendência branca poderia ter resultado naquela pele 100% negra que ele tinha. Não! Deveria ter alguma explicação.

Se isso fosse verdade, toda essa idéia de "raça" iria por água abaixo. Todas as idéias que ele defendia com unhas e dentes em suas músicas, passariam a soar hipocritamente falsas. Todo o conceito de raça branca, negra ou amarela seria a prova final da ignorância humana em relação ao mundo em que estão inseridos. Se isso fosse verdade, não havia mesmo diferença entre branco e preto e absolutamente todos seriam iguais.

Não poderia ser! Ele precisava rasgar o exame, precisava fingir que aquilo nunca acontecera. Aquele teste de DNA nunca ocorrera de fato. Ele continuaria 100% preto; continuaria cantando a história das comunidades pobres e negras; ele continuaria brigando pelos direitos da minoria negra que sempre foi oprimida pela sociedade. Afinal, as coisas devem permanecer como são, tudo no devido lugar; onde já se viu preto branco ou branco preto? Seu filho que estava pra nascer seria a prova da sua negritude; um atestado da sua herança africana...mas e se... não! Era melhor nem pensar sobre isso. Seu filho nasceria pretinho que nem ele e ponto final.


Foto: Gêmeos ingleses nascidos em 2006. Layton é branco e loiro e Kaydon é moreno. A mãe, Kerry Richardson, 27 anos, é descendente de negros nigerianos e ingleses brancos.

segunda-feira, junho 04, 2007

As Letras e o Sarau

Dava gosto de ver, muito melhor participar.

O palco estava montado. A multidão ia tomando seu lugar nas mesas e cadeiras. Nosso grupo seria o primeiro a se apresentar naquela noite que prometia arte, música, poesia e muita alegria. Foi com muito nervosismo que ouvimos nosso nome e os primeiros acordes das 4 Estações de Vivaldi começando a tocar. Era a hora da nossa apresentação. Iríamos apresentar um poema dividido em 4 partes que chamamos de “Quatro Estações” e planejávamos contar através dos versos, as fases pela qual o amor passa: explodindo em verão, murchando no outono, morrendo no inverno e renascendo na primavera. Estávamos preparados, mas o nervosismo era total, era a primeira vez que nos apresentaríamos para toda a faculdade. Era o nosso primeiro sarau.

O sarau é uma festa onde a cultura é celebrada, a poesia é a bebida e a música nutre mais que qualquer alimento. Uma festa onde pessoas se reúnem para a celebração das letras. Cursando o terceiro ano do curso de Letras, eu finalmente entendera o significado do nome do curso: não estamos estudando para ser professores, escritores ou doutores da língua. Estudávamos para celebrar as letras.

Naquela noite a literatura não era apenas mais uma matéria; Fernando Pessoa, Machado de Assis, Drummond e tantos outros autores não valiam notas para passar de ano; eles eram o nosso passaporte para a arte das palavras. Éramos todos crianças novamente brincando com todas as possibilidades que as letras podiam tomar; brincando com o significado das palavras, com o poder da voz no recitar de versos que calavam a alma do ouvinte.

Foto:Miss Spring, Mr Winter, Mrs Fall and Miss Summer


Quando subimos ao palco, eu e minhas amigas Débora, Denise e Ariadne, queríamos através da poesia falar de amor e tocar corações. Não desejávamos ser os melhores da noite, só queríamos brincar também com as letras, com a nossa voz e com o recitar que fluía pelo salão na direção de cada um.

Foi lindo ver tanta gente cantando, lendo, recitando e dançando , mas foi bem mais divertido brincar de letras também. O curso nunca mais será o mesmo depois dessa celebração.

Que venha os próximos saraus.
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