sexta-feira, abril 27, 2007

Mau Humor

Hoje não consegui lutar contra ele. Quando vi, ele já havia me dominado.

Não há técnica que eu consiga usar, além do fato de saber que ele é passageiro e se eu ficar bem quietinho, não contaminarei ninguém com ele e posso reagir.

Já me senti assim antes e já o derrotei. Ele fica nas sombras aguardando o meu deslize. Como um parasita, ele está sempre por perto, colado,tentando seduzir, querendo que eu o ouça, para que ele sugue minhas forças, meu entusiamo, meu riso.

Por algum tempo, achei que ele fosse externo, mas já percebi que ele é parte de mim e toda pessoa carrega ele consigo.

Mesmo sabendo que ele é natural, não o deixo tomar conta da minha vontade e sigo lutando todos os dias para que ele não assuma o controle, nem mesmo por alguns minutos, porque já percebi também que ele não só faz mal para mim como também para todos ao meu redor.

O dia ainda não acabou e embora, ele esteja no controle desde o momento que acordei, estou ciente que apesar dele ter me dominado; eu ainda posso fazer algo a respeito, afinal ele pode ser parte de mim, mas quem o controla sou eu.

A reação está a caminho... há um sorriso na próxima esquina.


Frank

Notas: Ninguém é obrigado a estar sempre de bom humor, afinal a vida é dificil e não conseguimos mesmo rir de tudo o tempo inteiro, mas há pessoas que não conseguem lutar contra

o Mau Humor e esse passa a ser realmente um Mal Humor, um Mal que precisa ser tratado, pois acaba prejudicando a sua vida e em alguns casos, esse mal acaba levando as pessoas a um quadro crônico de depressão e transtorno persistente do humor.

Vivo dizendo para a minha esposa que um dos motivos que estou casado com ela há tanto tempo é porque ela sempre está de bom humor. Um dia, enquanto dizia isso pela enésima vez, ela sorriu e disse:

- Fran, eu também fico de mau humor, a diferença é que você não tem nada a ver com isso e não vou contaminá-lo com algo que posso trabalhar em mim e transformar.

Ponto para ela!!!

quinta-feira, abril 26, 2007

Piada Extraterrena



Um Etzinho diz pro outro:



- Caramba, finalmente eles estão sacando que tem muito mais planeta por ai com condições de vida que a Terra.



- Era hora de cair a ficha!



- Era tão obvio, olha o tamanho do universo e olha a tecnologia que eles ainda possuem.




- Estão tão surpresos por ter encontrado o Zóia 15 com esses aparelhinhos medievais; imagina quando encontrarem o Xeus 2, bem do lado deles, com todo aquele povo que os observa há séculos.



- Vai ser um susto, mas eu acho que vai demorar ainda um tempinho para eles apontarem para a direção certa.



Frank

Notas:
Fonte foto e reportagem sobre o novo planeta: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u16346.shtml

quarta-feira, abril 25, 2007

Quartas

Sempre gostei da Quarta-Feira. Todo mundo que conheço não.

É meio da semana, longe demais da Sexta, ainda sob a sombra da Segunda. O chefe geralmente pede algo na Quarta que deveria ter pedido na Segunda e quer para Terça; a mulher reclama que não rola carinho e você está muito cansado para explicar que no meio da semana não rola mesmo nada entre 00:00 e 05:00 da manhã além do sono; contas inexplicavelmente vencem na Quarta e por ai vai... mas ainda sim, amo as Quartas.

Na Quarta, ainda podemos fazer algo para que a semana não seja desperdiçada com a rotina. Na Quarta, ainda dá tempo de fazer um happy hour com os amigos ou mesmo matar aula na Faculdade e namorar a esposa com tempo suficiente para um papo que seja algo além de "como foi o seu dia?".

Na Quarta ainda não fomos tomados por aquele feeling de " poxa, a semana já passou e não fiz nada" e podemos reavaliar as coisas, para chegarmos na Sexta com a certeza que tivemos tempo de percebermos a quantidade de bobagem que iriamos fazer, mas evitamos pois paramos um pouco a correria do dia-a-dia na Quarta e conseguimos melhorar algo ou ao menos demos mais atenção ao que era realmente importante.

sábado, abril 07, 2007

A Carne é Fraca


Ontem, comi carne de frango e vocês sabem, é proibido comer carne na Sexta-Feira santa. Comi escondido, pois temia que alguém estivesse me olhando. Só Deus sabe e agora vocês. Minha sorte foi que o Deus que me observava era o Deus dos muçulmanos e ele só fica bravo se comemos algo proibido durante o Ramadã.

No ultimo Ramadã, comi uma maçã e também tive sorte, pois o Deus que me observava era o Deus dos Hindus e ele só ficaria bravo se eu estivesse comendo um Big Mac, afinal, as Vacas são sagradas para o Hinduísmo.

Mas eu como Big Mac. Gosto mesmo de hambúrguer e a sorte que tenho é que toda vez que vou lá no Macdonalds, o Deus que me observa é o Deus dos Judeus e ele só ficaria bravo comigo, se eu estivesse comendo carne de porco.

O problema é que adoro um hotdog, mas o Deus que me observa, toda vez que vou na barraquinha, é o Deus dos Pagãos e ele não se importa, se eu escolho salsicha de porco, de frango ou de soja, mas fica bem bravo quando eu como carne entre a quarta de cinzas e o Sábado de Aleluia.

Para não contrariar nenhum dos Deuses e continuar sendo devoto de todas as religiões ( afinal, nenhuma delas é perfeita, todas têm os seus prós e contras e sábio seria o homem se aprendesse com todas elas), resolvi deixar os dogmas de lado e seguir a minha vontade. Sei que posso comer de tudo um pouco e quando quiser, basta que eu o faça em moderação, assim como sei, que apesar de acreditar que nada deva ser proibido ou ser pecado, certas coisas não me convêm e eu posso passar bem sem elas.
A questão é que desconfio que no fundo, apesar da diversidade, todas as religiões falam da mesma coisa e refletem um único Deus que se divide em milhares de faces para agradar ao homem que ainda só consegue acreditar em um Deus que seja o reflexo do seu próprio espelho e o fato de comer ou não carne em dias santos não melhora quem você é e nem o faz uma pessoa mais consciente das lições deixadas por Jesus, Buda, Maomé, Krishna ou qualquer outro homem santo que passou por esse planetinha. O melhor sacrifício que podemos fazer não é o jejum alimentar, e sim o jejum da moderação. A melhor peregrinação que podemos realizar é o Caminho para dentro do nosso próprio coração e avaliar não só na Páscoa, mas todos os dias, se estamos sendo pessoas melhores para quem está ao nosso lado nessa vida.

Sim, eu sei, a gente só aprende pela dor. Sim, eu sei o sacrifício é exemplo mais forte que milhares de parábolas, lições e milagres. Sim, eu sei sorriso e alegria não convertem ninguém a uma religião; mas já carregamos cruzes demais, (cada um sabe quanto pesa a sua) e se há motivos para comemorar a Páscoa, vamos comemorar o fato que Jesus decidiu vir para a terra entre tantos planetas que devam existir nesse universo ( tá bom, só tem vida na terra; claro, continua acreditando nisso, Mané...) e aqui deixou pegadas de amor e lições maravilhosas. Foi-se o tempo de admirá-lo pelo sofrimento e por seu sacrifício; celebre sua passagem pela terra lembrando da alegria que ele sempre deixava por onde passava e não pelos pingos de sangue que o Mel Gibson mostrou que caiu pelo chão.

É época de renovação e meditação. Lembre-se que você não é a carne ou o alface que come e sim o pensamento e as ações que pratica.

Frank Oliveira

terça-feira, abril 03, 2007

Medo!!!!!!!!!!!!!!

Olhei de canto de olho, com aquele olhar medroso, assim de quem viu onça pintada, de quem está prestes a cair de um precipício; como se a vida estivesse por um fio. Não podia me mexer, não sei se era o medo, não sei se estava ainda dormindo. Bem que queria que tudo aquilo fosse um pesadelo, mas não era : eu estava vendo gente morta!

Ele tinha 15 e eu 13. Ele tinha fama de arrebentar fuças novas e eu fama alguma. Era novo na escola e como vinha das terras do Norte, tinha um sotaque assim que chamava a atenção; usava palavrinhas que não se usavam por aqui não, mas que virara motivo de riso, de pirraça, de gozação e fui agüentando até o dia em que reagi e ele disse: Te pego lá fora!!!

Não sou Gandhi, mas sou a favor da lei da não-reação , do pacifismo. Nunca gostei de lutas, sempre evitei encrencas. Nunca fui o tipo valentão, mas também não era covarde. Eu iria enfrentar o sujeito, ou melhor minha cara iria enfrentar o punho dele.

Meu maior medo não era a porrada, já ensaiava a desculpa para minha mãe quando chegasse em casa; o meu medo era a humilhação de finalmente tornar-me conhecido na escola e essa fama eu não queria não; mas precisava enfrentar, por mais que minha mente trouxesse mil possíveis planos de fuga. Era o meu nome, a minha história estudantil que precisava honrar.

O sino tocou e toda a molecada correu para o pátio, eu caminhava; afinal não tinha a menor pressa para a minha execução. A roda foi formada, a torcida lembrava a platéia ensandecida de um duelo de Gladiadores na Roma antiga. Eles queriam o meu sangue e a minha humilhação pública. Eu queria apenas pular aquele momento e estar na minha cama são e salvo.

Nessas horas os adultos desaparecem, anjo da guarda foi passear, amigos se escondem entre a multidão e tudo o que te resta é enfrentar o inimigo como homem. Então, respirei fundo, coloquei a mochila no chão, tirei os óculos ( sim, além de raquítico, eu ainda usava óculos) e vi aquele gigante avançando na minha direção.

Escuridão total...

Tudo o que me lembro em seguida, foi de estar na enfermaria da escola com algodão em uma das narinas e minha cabeça parecendo que ia explodir. Não olhei no espelho, mas desconfiava que tinha virado o menino-elefante. Não tinha, mas demorei uns dias para diferenciar onde começava meu nariz e terminava minha boca.

Sinto desapontar o leitor, mas não consegui vencer a luta. Apanhei e sobrevivi para agüentar a gozação. Meu inimigo foi expulso da escola, se isso servir de consolo para o leitor que levou a porrada comigo, mas devo dizer que essa expulsão em nada melhorou a minha vida, pelo contrário, precisei ser escoltado para casa nos próximos dias pelo meu irmão mais velho. Ainda devo grana para o meu irmão que cobrava hora extra para ser meu Guarda-Costa.

O que isso tudo tem a ver com gente morta???

Sim, esses dias acordei na cama e já não tinha mais 13 anos, o que foi um alivio, contudo, percebi que não me movia e o que é pior havia alguém no quarto junto comigo além da minha mulher. É claro, que pensei no Ricardão ( Alah me perdoe por desconfiar da minha mulher), mas logo senti que essa presença no quarto tinha um gosto assim, como explicar, sobrenatural. Só quem passou por isso sabe, como fica o lençol depois. O fato é que havia um cara no quarto e eu que nunca fui nenhum Ghost Whisperer, comecei a me (desculpe o português) evacuar de medo. Não conseguia me mexer, tinha quase certeza que ainda estava dormindo, mas com a sensação de estar profundamente acordado (catalepsia projetiva para os voadores astrais de plantão) e sentia, via e escutava tudo ao meu redor, inclusive a aproximação desse “ser” que vinha pouco a pouco na minha direção. Tentei me mexer, gritar pelo “Chapolin”, fiz de tudo, mas continuava lá imóvel e quanto mais essa presença se aproximava, mas eu sentia uma estranha sensação que eu o conhecia. Porém, nada poderia me surpreender mais do que constatar que a figura noturna era na verdade o garoto de 15 anos que tinha me enchido de porrada aos 13. Falo “garoto”, porque não lembro mesmo o nome do sujeito ( mente seletiva, chame da forma que quiser). Na hora, juro que pensei em me levantar e lhe dar uns bons tabefes, mas como não conseguia mesmo me mexer, comecei a xingá-lo como todos os palavrões que havia aprendido nos últimos anos. Ele não reagiu, continuou com um olhar distante e se aproximou e sussurrou em meu ouvido: desculpa!

Então ele desapareceu e o pavor, o medo foi sumindo. Continuei sem me mover por um tempinho, até que minha esposa me deu uma cotovelada e eu “despertei”. Lembrava do “sonho” todo e podia jurar que o cara ainda estava por ali, e ele não tinha mudado nada, tinha a mesma cara e a altura de quando o conheci.

Fiquei o dia inteiro pensando no moleque e imaginando se ele tinha morrido ou coisa parecida. Tentei outras tantas explicações, para não cair naquelas histórias de “ofensa e perdão” típicas de livros espíritas. A verdade é que senti de verdade que esse sujeito veio me visitar e pedir desculpas por algo que ele fez há 20 anos atrás. Eu nem lembrava mais disso, fiz questão de esquecer, mas posso honestamente dizer que nunca guardei mágoa, só um ódio mortal que sumiu lá pelos 14 anos, quando descobri que ele tinha mudado de cidade e meu irmão não precisava mais me acompanhar da escola para a casa.

No final tudo fora coisa de criança, não deveria pesar tanto na consciência assim...ou assim eu
pensava.

Frank Oliveira

segunda-feira, abril 02, 2007

A Eficiência do Amor

O Amor flui pelo universo, diriam os poetas, como se fosse um rio que sacia a sede de todos os sedentos por carinho e atenção. O Amor não escolhe rico ou pobre, magro ou gordo, branco ou preto, reto ou torto; o amor segue seu rumo, manifestando o divino poder da criação em todas as pessoas que estiverem em sintonia e abrirem a porta do seu coração para que esse sentimento possa se transformar em união.

União que transforma dois em um, um em tudo. União que desfaz preconceitos, que fortalece bases, ergue pontes que atravessam esse mundo material e ilusório, levando esses amantes de volta para a casa, de volta para o lar; pois é na manifestação de amor que conseguimos sentir aqui na terra, um gostinho do céu.

O céu verdadeiro que é mais que um lugar onde se pisa em nuvens com anjos tocando harpas e gente vestida de branco. Esse céu ao qual me refiro é o céu do coração. O céu que aquece o peito, mesmo em meio a escuridão do mundo dos homens, mesmo em meio ao preconceito e a ignorância que pré-julga onde esse amor deve habitar.

Mas o Amor é teimoso e insiste em habitar os corações de todos, sem ler livros sagrados, sem seguir leis jurássicas, pois o Amor é livre da visão picuinha do homem e transforma a todos sem excessão. Sim, o Amor ensina...

De todos os mestres da vida, o Amor é o melhor professor, pois ensina e mostra que quando queremos realmente ficar junto com quem amamos, construimos a ponte para o coração do outro e atravessamos esse caminho, mesmo com passos deficientes, pois o Amor é mais forte que a mente, mais forte do que a paralisia dos homens que julgam onde o amor deve habitar ou não.

Para esses homens (que são os "que não tem razão") o Amor é um conceito, uma teoria, uma idéia e portanto, jamais compreenderão que quando duas pessoas decidem formalizar uma união , não estão pedindo permissão divina para se amarem, elas estão apenas propogando que se o Amor chegou para eles, chegará para todos.

Frank
Notas do autor:
Dedicado a Pablo Damásio de Araújo, de 33 anos e Cláudia Araújo Vianna, de 32, que foram impedidos de casar na igreja, porque os dois são portadores de deficiência mental. A "razão" do padre que negou a união oficial é que eles são incapazes de procriar, e de acordo como o Código do Direito Canônico, é o principal objetivo do casamento. Os dois acabaram se casando numa cerimônia na Associação Niteroiense para Deficientes Fisícos (Andef).

Foto: Estado de São Paulo On Line
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