terça-feira, janeiro 30, 2007

Clandestinos



Não olhe pra trás, repetia pra si mesmo á medida em que entrava no barco; o estreito que ligava o mediterrâneo e o atlântico era a ultima barreira que o separava de seu sonho, de uma nova vida.

Seus olhos brilhavam com as possibilidades que surgiriam além do mar, mas ao mesmo tempo, seu coração chorava por estar deixando seu lar, o continente que mesmo tão sofrido e injustiçado por décadas de exploração, era a sua casa, a sua terra.

Não olhe pra trás, Zion dizia enquanto o barco se afastava das praias deCelta, no norte da África e seguia em direção a Gibraltar, na Europa. Eram 6kms de distancia e se o tempo ajudasse e os deuses ouvissem suas preces, em pouco mais de uma hora, ele estaria pisando em terras européias.

Para chegar até ali, ele atravessara o Sahara a pé, quase perdera a vida nas mãos de bandidos argelinos na fronteira com o Marrocos e pagara seus últimosdólares ao barqueiro para juntos com outras 12 pessoas se tornaremclandestinos no mundo europeu. A família ficara na Nigéria, e se tivessesorte, conseguiria juntar dinheiro para pagar a ¨passagem¨ de todos nofuturo.

Não olhe para trás, continuava repetindo, como se orasse, como se pudesse por um momento afastar a saudade de casa, a vontade de desistir e as más lembranças de um ano de tentativas frustradas de chegar até aquele pedaço de mar.

Se houvesse outro jeito, mas como tantos outros que faziam aquela travessia todas as noites, eles não eram apenas imigrantes econômicos, ansiosos por dinheiro e ainda tendo a chance de voltar para casa. Eles eram exilados da vida que um dia tiveram pessoas que já estariam mortas se jánão tivessem fugido, escapado em direção ao desconhecido, vendo no continente europeu a última chance de recomeçar outra vez. Pessoas que embarcam numa jornada perigosa, e que muitas vezes pagam com a própria vida pela chance de sonhar.

Dentro de um barco de clandestinos ninguém fala, ninguém suspira, mas os olhos não escondem que internamente todos rezam em silêncio para seus deuses, santos e demônios ajudarem seu barco a chegar no outro lado. Aquela noite, Netuno teve compaixão daqueles treze exilados e pediu aIemanjá, a rainha do mar que acalmasse as ondas e cobrisse com seus cabelos negros a noite para que o barco chegasse a Gibraltar. Não houve tempo para comemorar, nem dizer adeus; em segundos Zian e seus companheiros se separaram e sumiram no meio da noite para se tornarem fantasmas nas ruas européias.

Antes que o sol nascesse, dois outros barcos afundaram e um outro foi interceptado pela policia marítima. Tudo rotina, numa noite qualquer em mais uma rota migratória onde muitos morrem pela chance de viver com dignidade. Quanto a Zion, pode-se dizer que o rapaz teve sorte e alguns meses depois chegou a Londres, onde limpa escritórios durante o dia e dirige táxi à noite com documentos que deixam claro a qualquer policial que ele se chama JoséDirceu, português que vive em Londres há cinco anos. O documento custou mais caro que todo o dinheiro que ele gastou para chegar até ali, mas lhe garantiu o emprego e a chance de assegurar a vinda da sua família que já esta esperando por um barco vazio em Celta para cruzar o mar e chegar até Gibraltar.

Frank

Anjo do Peito


Dentro do nosso peito mora O Mensageiro

O verdadeiro Anjo do Senhor

O unico intermediário entre Você e o Todo

A Canalização com o seu anjo interno é feita através da meditação, mas pode ser sentida ao ouvir uma canção ou através da leitura de um belo texto.

Esse anjo é uma mistura entre o arcanjo da vida e da luta diária e o querobim que ri a toa e corre na chuva.

Não há ser mais iluminado que ele, por que ele reflete tudo aquilo que um dia você vai se tornar.

Aprenda a escutá-lo e canalize suas mensagens a quem se dispor a recebê-las.

E na proxima vez que esperar que um anjo apareça do céu com as suas asas, não se esqueça que ele já chegou e vive dentro de você.

Portanto, deixe seu anjo cupido entrar em ação sempre e fleche os outros com o seu amor e assim, experimentando e espalhando o que há no seu peito, voce entenderá quem realmente é o seu Anjo da Guarda.






segunda-feira, janeiro 22, 2007

Caçando Cometas

Enquanto mais soldados americanos eram enviados para o Iraque, o cometa deslizava pelo céu. Enquanto corpos eram procurados dentro da cratera que parou São Paulo, o cometa flertava com a terra. Enquanto políticos anunciavam novos planos e brigavam por um lugar á sombra no planalto, o cometa era visto no céu e quem o via, percebia o quanto somos pequenos.



Gosto de olhar pro céu quando fico sufocado pelos meus problemas, quando faço isso, ponho minhas preocupações na devida proporção que elas merecem ser colocadas: segundo plano. Gosto de lembrar do tamanho da terra em relação à galáxia, principalmente quando abro o jornal e vejo tanta gente brigando por picuinhas.

Lembrar que não passamos de grão de areia nesse universo não me aliena ou torna minha vida insignificante, pelo contrário, quando passo o dia tentando ver cometas é que percebo o quanto maravilhoso é estar vivo nesse planeta aquecido e mantido por uma estrela de quinta grandeza. Ao caçar corpos celestes, percebo que somos mesmo das estrelas e estamos na terra, parcialmente esquecidos que somos também cometas viajando pelo espaço das experiências.

Por isso é importante esse exercício de olhar pro céu e se deixar encantar pelo pôr do sol ou por uma lua gigante que surge de surpresa na sua janela, como se só tivesse sido posta ali, para você olhar para ela. Deixar-se envolver por esses momentos, essas observações, faz com que você tenha ciência que viver é um presente sagrado demais para ser contaminado por tinta suja de noticias ruins de jornal, por vozes ecoando nas nossas cabeças vindas dos programas televisivos que fazem da tragédia uma festa para a audiência faminta por desgraça.

Observar cometas no céu, é um exercício de paciência, ainda mais no céu poluído por crimes das grandes capitais. Porem, se a paciência persistir, a recompensa não tarda a chegar: as nuvens do medo se dissipam e enxergamos o cometa da vida, riscando o céu para nos lembrar que não importa onde estamos, nossos problemas e a ignorância coletiva, tudo vai passar e vamos continuar.


Frank

sábado, janeiro 20, 2007

A Natureza e as Esporas

Segundo Darwin, somos seres em constante evolução, aprendemos com os nossos erros e só os mais fortes e espertos sobrevivem. Tenho nadado contra a maré, não consigo evoluir e deixar de acreditar nas pessoas, mesmo sabendo que posso ser usado, manipulado, ferido e segundo Darwin, extinto.

Não faz muito tempo e perdi um grande amigo para a vida. Motivos: imaturidade em resolver as diferenças de forma sensata e a grande capacidade humana de querer que o outro viva de acordo com o evangelho do nosso ponto de vista.

Fiz a promessa de jamais confiar em outra pessoa novamente. Tolinho!!! A promessa foi quebrada pouco tempo depois. Tenho hoje dezenas de amigos que confio plenamente e pelos quais, tenho muito estima. A verdade é uma só, não sei quanto a vocês, mas não sei viver sem amigos.

Não faz muito tempo e partiram meu coração, ainda procuro os pedaços, mas sei que não deixarei de amar. É a minha natureza: amar é se entregar totalmente à pessoa amada. Eu sei, preciso evoluir. Preciso criar máscaras, barreiras e defesas para não me machucar novamente. Preciso manipular, usar, mentir e manter o jogo, se quiser ser feliz no amor. O problema é que quando eu amo, eu arrisco mesmo, mas jogo pra vencer.

Amar é dar a cara às tapas, mostrar suas verdadeiras cores, admirar e cuidar bem de quem está ao seu lado, mesmo que seja por uma semana, um dia. Amizade é compartilhar, se abrir, falar um monte de besteira e até chorar, mas acima de tudo confiar.

Tanto no amor quanto na amizade, não dá para estar ao lado de alguém só pela metade. Precisamos estar plenamente com as pessoas que gostamos. Se elas não agem assim conosco, o problema é delas, não nosso. Não podemos mudar quem somos, por causa da atitude e opinião dos outros. Osho, um sábio indiano, que era maluco e iluminado ao mesmo tempo, costumava dizer : “ Esteja Pleno. Quando conversar com os seus amigos, seja a própria conversa. Quando beijar quem vocês amam, seja o próprio beijo. “ Sim, estar plenamente com alguém deveria ser obrigatório, menos que isso não é suficiente.

Sim, eu sei! Precisamos estar bem treinados para montar nesse cavalo selvagem chamado amor, nesse touro indomável chamado amizade, mas como não nasci mesmo para ser boiadeiro, nem cavaleiro; continuo tentando olhar no olho desses bichos e me comunicar, mostrar que eles não precisam temer. Apesar da dor cavalgar junto com o prazer, montar nesses animais não tem nada a ver com poder e sim com respeito. Por isso e talvez por pura teimosia, não uso esporas, chicotes ou laços e mesmo que eu caia de novo, não vou mudar, vou me levantar e recomeçar tudo de novo.

Frank

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Menino da Pele Azul

Menino que tem o sol dentro dos olhos
Me dá um pouco desse teu mel
Deixa eu tocar na tua pele azulada
Sentir por segundos a paz do teu céu

Vem cá menino de 5000 anos
Quero ver as cores de tua pena de pavão
Que levas adornando teus cabelos
Que acende sabedoria aos que estão na escuridão

Me deixa amá-lo como tuas Gopis
Dançar contigo na tua canção
Ouvir a flauta que sopra teu doce amor
Me perder contigo na imensidão

Ah filho de Devaki e Vasudeva
És do universo o pastor transcedental
Trazes o brilho da luz que incendeia
És a divina luz espiritual

Nos leva ao combate sem nada temer
Nos põe em desafio do nosso próprio ego
Nos impulsiona a ele vencer
Tirando a maya dos nossos olhos cegos

Te ofereço doce menino
folhas, frutas, flor ou água
Leite, mel pra te encantares
Que do meu peito jamais saias

No meu Anahata teu nome cantarei
Que eu possa sempre lá te encontrar
Meditando comigo as tuas bênçãos
Krishna Divino e amado Avatar

Autora: Savitri

quinta-feira, janeiro 11, 2007



Um brinde aos grandes amores e as amizades verdadeiras!!!

Que esse seja o ano das grandes mudanças e que o vento nos traga na próxima esquina, muita saúde, paz e novas aventuras!!!

Frank

Do Anjo

Ela não poderia ser real, mas era.

Sapeca, de fala rápida, sorriso certeiro, acertou uma flecha no meu coração.

Ela mora longe, mas está tão perto que posso sentir.

Fecho os olhos e ouço a sua voz, vejo suas palavras escritas em letras de MSN serem tecladas em minha tela mental.

Vou dormir, contente, pois sei que ele é real, existe e é parte de mim.

E quando sonho, dançamos em bailes de papel, no ritmo das letras, das promessas e do encontro que nunca aconteceu. Ela me chama de anjo e eu a chamo de minha. Codnomes, códigos, apelidos, que revelam o que é segredo ao mundo e verdade absoluta para nós.

Mas quando caio do sono, acordo e ela não está lá. E passo todo o dia esperando a noite, só para poder novamente com ela sonhar e bailar.

Sun Amara

Dedicado a minha querida amiga Samara


O tempo é como a água que escorre pelos dedos, mão nenhuma consegue segurar. O tempo é impiedoso, dissolve lembranças, apaga rostos, transforma grandes amigos em rostos na multidão, porém, o tempo jamais conseguiu apagar da minha lembrança o sorriso da minha amiga Samara.

O ano era 1991, poderia ter sido 2001. Trabalhávamos juntos, vendendo e fazendo Big Mac´s na famosa e famigerada rede de fast food do palhaço Ronald. Éramos diferentes, eu Ocidente, ela Oriente; mas sorrisos nos aproximaram, a ponte da amizade se ergueu.


Se o tempo é cruel, a memória é pior ainda. Não lembro se foram meses, me parece que foram dias, mas tão rápido quanto ela apareceu, se foi, para além do mar, para onde eu jamais a poderia alcançar.

Prometemos manter contato, mas nossas promessas foram quebradas pela distância, pelo tempo e pelos caminhos que seguiram para direções opostas.

Então um certo dia, quando surfava por ondas virtuais, vi surgir uma ilha e era Samara que reaparecia.

15 anos depois nos reencontramos, um abraço derrubou o tempo e os nossos sorrisos reviveram memórias. Por isso, escrevi essas palavras, para lembrar e pedir a todos que se perderam de grandes amigos: Não os esqueçam! Pois a maré, que um dia levou, os trará de volta.

segunda-feira, janeiro 08, 2007


Malabaristas das Ruas Posted by Picasa

Os Malabaristas e a Bolsa Louis Vuitton

Sexta, 10:30 da noite, estou num ponto de ônibus da Avenida Juscelino Kubitschek esperando minha condução e noto que os três pivetes que havia visto a pouco tempo fazendo malabarismo no farol, se aproximam de onde eu estou.


Falam e riem alto. Não demora e estão próximos de mim. Ergo o meu muro de defesa; calculo a distância até o outro lado da rua e penso até em acenar para um táxi, mas permaneço inerte, esperando o primeiro movimento suspeito dos garotos para agir.

Eles parecem não me notar, até que me afasto um pouco para avenida e um deles percebe que estou com receio de ser assaltado.

- Roubamos mesmo!!! – grita o rapaz bem alto – Ontem mesmo roubamos um boyzinho, e distribuímos a grana pros amigos – diz o Robinho Hood querendo me assustar, mas estava bem visível, que ele dizia aquilo só para me provocar e porque se sentiu ofendido com o meu movimento.

Olho para os outros meninos e eles contam o dinheiro que ganharam no farol. Aparentemente, não há nenhum adulto os explorando (exceção, pois é o que ocorre em 99% dos casos), e um deles fala baixinho : “ mais uma semana de trampo e compro um Play Station”. Lembro de um quadro humorístico da 89 Fm de São Paulo, “Os Manos”, onde há uma personagem que só pensa em conseguir um Play Station e acho graça.

Mas a graça dá lugar a vergonha, pois julguei os moleques e no final não era nada do que imaginava, mas estou em São Paulo, e desconfiar dos outros é tão comum quanto ficar preso no trânsito.

O ônibus chega, subo e sigo o meu caminho...


Sábado, 16:30, estou no Shopping Morumbi, tentando achar a única loja que importou o novo CD da Loreena McKennitt, minha vocalista de World Music preferida, e pego uma fila para pagar o CD no caixa. Á minha frente tem um casal, e espero a minha chance de pagar uma pequena fortuna por esse CD importado, que só deve chegar no Brasil em Dezembro. A mulher, cheia de sacolas e com sua bolsa Louis Vuitton no ombro dá um passo pra trás e esbarra em mim. Ao invés de pedir desculpa, ela me olha desconfiada e tira a bolsa do ombro, põe a frente e abre, checando se há algo faltando. Não era mal entendido, ela estava achando mesmo que eu tinha aberto a bolsinha dela durante o momento em que estávamos na fila e tirado algo.

Meu coração começa a bater mais depressa, minha respiração fica descompassada e eu estou à beira de começar uma discussão. “ Quem aquela @#$% pensava que era, para achar que eu sou um ladrão? “ penso com razão, afinal estava me sentindo humilhado por aquela dondoca; mas me vem à mente a experiência no ponto de ônibus. Revejo a cena, e lá estou eu prejulgando “os malabaristas”.

Irônico, não?
Por fim, pago o meu CD, vou-me embora, mas começo a rir, afinal a melhor forma de aprendermos como ferimos as pessoas com nossos preconceitos é sentindo isso na nossa própria pele.



Frank Oliveira

terça-feira, janeiro 02, 2007

2007

Desejo a todos os amigos e leitores do blog, muito sucesso e saúde em 2007!!!
Obrigado por estarem comigo em 2006 e prometo a todos que um rio cheio de textos está a caminho.

Obrigado de coração

Frank
Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply