segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Primeiro Amor

Banhei-me de ouro,mergulhei no dourado. O ônibus estava lotado, a camisa suada, mas os olhos abriram caminho em meio a fadiga e ao calor e percebi a força do primeiro amor*.

Sim , o primeiro amor me tocou usando os raios de sol. A cidade cinza mergulhou no sorriso que o por-do-sol desencadeou em minha face e eu virei parte do crepúsculo.

Vi que estava sonhando de novo, sonhando acordado. Sonho lúcido do qual não consigo acordar e nem poderia ser diferente. Estou aqui pra sonhar, viver esse sonho em toda a sua dimensão, mas quando o sonho começa a perder o encanto, Ele se mostra e nos lembra do primeiro amor. Ele aparece no dourado refletido nos prédios e nos mostra que precisamos permanecer um pouquinho mais lúcido e não deixar o sonho virar pesadelo.

Sim, em momentos assim, posso sentir novamente o primeiro amor entrando por todos os meus poros e me lembrando de quem eu sou. Sim, em momentos assim, a saudade de casa me tira lagrimas dos olhos e da vontade de voltar. Em momentos assim, quase posso sentir o cheiro do lar vindo pelo ar, quase posso lembrar dos rostos dos amigos e amigas que torcem por mim nos bastidores. Quase lembro o que sei quando estou dormindo, mas preciso voltar pro sonho. Não posso acordar ainda. Esse sonho é bonito e só existe para que eu possa acordar, mas na hora certa. Mas não estou sozinho e toda vez que eu me esquecer disso, terei sempre o primeiro amor pra me lembrar.

Olho pro sol se despedindo e agradeço ao Criador por estar ali sentindo aquilo. Agradeço por estar vivo e poder estar consciente daquela sensação de certeza que há algo a mais do que os nossos olhos podem enxergar.

Sinto o primeiro amor pulsando no meu peito e entrando e saindo com o ar que respiro. Esse amor estava comigo, sempre esteve, mas precisa de um por do sol pra me despertar. Esse amor é minha estrela guia nos momentos em que esqueço completamente de quem sou e de onde vim. Esse amor é a minha luz nos momentos escuros. Luz que reflete no pedacinho do divino que habita dentro de mim. Luz Maior que foi e é o meu primeiro amor.


Frank Oliveira
23 de Janeiro de 2006
http://cronicasdofrank.blogspot.com


* Primeiro Amor: aprendi a chamar assim essa energia da vida, do todo; com o meu amigo Wagner Borges, que sempre procura passar através dos seus cursos, mas que teoria. Ele desvenda o oculto, revelando o coração.

sábado, janeiro 21, 2006


O Elemental  Posted by Picasa

Renascimento Posted by Picasa

quinta-feira, janeiro 12, 2006


O Labrador vigia o Pit Bull Posted by Picasa

O Pit Bull e o Labrador

Tudo começou com um leve arrepio, quase igual aquele causado pelo frio. Não dei bola, segui minha estrada; contudo havia algo estranho na maneira como eu estava me comportando. Estava muito blues, para quem geralmente é jazz.

Desconfiei, mas não fiz nada a respeito. Não acreditava que era isso, afinal, minha antena estava bem sintonizada. Na minha rádio só tocava som de alta qualidade. Os solos de guitarra e a vibração da cítara não combinavam com aquelas batidas funks que invadiam meu dial. Era como se uma dessas rádios piratas tentasse tirar do ar a minha FM.

Aquilo tudo começou a tomar de conta do meu agir. Quando dei conta de mim, já estava totalmente absorvido por pensamentos mesquinhos e comecei a ser guiado por atitudes grosseiras.

Tinha discernimento para perceber que precisava fazer algo, mas parte de mim estava contente por eu estar agindo assim. Era como se o Pit Bull que estava preso colocasse para correr o Labrador. Eu me sentia livre, mas era uma liberdade nociva que não convinha mais a pessoa que eu me tornara.

Só podia ser influência externa, mas tinha tomado conta de mim muito rápido e fácil, pelo visto eu era em parte responsável por sua influência. Abrira a porta para o vampiro e agora as vibrações tinham despertado o pior que havia em mim. As sensações me fizeram lembrar de uma época em que eu era assim o tempo inteiro, porem mesmo podendo fazer e ter tudo, no final o resultado foi o nada.

Lembrando disso, parei na ponte e não quis cruzar para o outro lado. Ainda havia tempo de ignorar a aliança. A vibração na nuca aumentou e me impulsionava a continuar, mas decidi optar pelo longo caminho; o atalho já foi a minha estrada e nunca me levou a lugar algum.

Por hora, a rádio pirata foi vencida e a FM voltou a tocar as baladas fantásticas da caminhada saudável, onde os solos de guitarra são acompanhados pelo som de uma doce flauta. O Labrador voltou a ficar de guarda, mas o Pit Bull está lá na sombra, esperando o som que o coração não ouve, novamente o soltar.


Frank
12 de Janeiro de 2006

segunda-feira, janeiro 09, 2006


Por Completo Posted by Picasa

Fazendo as Pazes Sempre Posted by Picasa

Pela Metade

Poderia ter sido a noite perfeita, se não fosse por ela.

Tínhamos a lua refletida no lago a nossa frente, estrelas, musica e uma
baita sintonia.

Ela era fantástica, espirituosa,bem humorada, inteligente, sensual; mas não
sentia atração física por mim.

Sei que parece clichê, mas ela só queria minha amizade e ignorava, ou fingia
não entender, o meu “querer algo mais”.

Ela queria minha companhia, mas não meus carinhos; queria minhas palavras,
mas não sentir os meus toques. Poderíamos ter sido os melhores amigos do
mundo, se eu tivesse enxergado nela algo mais que uma mulher.

Culpava a solidão, amaldiçoava o fato que eu não era um Mel Gibson ou
qualquer um desses atores, modelos, rostos de capa de revistas que embora
vazios feito toco, encantavam, atraiam e tiravam dos pobres mortais as
chances de felicidade ao lado de mulheres como aquela moça, que na calada da
noite mais romântica de minha vida, me dava um fora.

Culpava a moça; afinal se não queria nada, porque aceitara ir ate aquele
lugar. Fingia não entender, ignorava a lembrança que fora eu que armara o
fim de semana no sitio com amigos fantasmas que nunca poderiam estar por lá.

Culpava a moça por não gostar de mim como uma mulher gosta de homem.

Culpava a moça por enxergar a minha alma e não o meu sex appeal.

"Quanto atrevimento! Onde já se viu amar a minha essência e não ficar
atraída pelo meu corpo."

A verdade é que não estava levando um fora, mas apenas constatando algo que
eu já sabia: Há pessoas que se atraem fisicamente e outras que se atraem
energeticamente, mentalmente, espirituosamente, almamente e toda forma de
“mente” que separa um abraço de amigo e um beijo de amante.

A gente sabe disso, a gente sente, mas finge não saber e embarca numa
jornada rumo ao coração partido; mergulha numa epopéia de bobagens
sentimentaloides que só pode dar mesmo em nada. Ainda bem que a gente pode
culpar o outro e acabar com a única coisa boa que tínhamos e
compartilhávamos: a amizade.

Mas ela era a moça. A minha alma gêmea, a tampa da minha panela, a estrela
que desceu a terra e se fez mulher para iluminar o meu caminho. O que houve?

A noite perfeita gritou: “Quanta ilusão, abre seus olhos, seu tonto!”

É noite; ela não era a moça, nem muito menos a minha única alma gêmea (
afinal todas as almas são gêmeas, parceiras e caminham juntas por um tempo
entre o ontem e o amanha). Ela era uma estrela, mas não a estrela-mulher que
iluminaria o meu caminho escuro e solitário.

Mas a pergunta continua...O que houve?

"Mundo real!!!" - responderam os grilos no mato, na lagoa e na cuca.

Poderia ter sido uma noite perfeita onde rapaz fica com a moça e iniciam um
relacionamento perfeito e vivem felizes para sempre. Poderia ter sido como
num conto de fadas, mas foi apenas realidade.

No mundo real a moça não gostou do rapaz e o rapaz continuou sozinho,
errando e acertando, acertando e errando, ate o dia em que se deu conta que
para encontrar a moça que viria para ficar, ele precisaria estar preparado
para abrir mão dos contos de fadas e abrir o seu coração para o fato que uma
relação só vale mesmo a pena se as pessoas envolvidas sentirem a mesma
atração e sintonia, pois nada pela metade se completa.


Frank
Paraibinha feio, cabeça-chata que encontrou sua parceira de vida, depois de
muitas andanças e cabeçadas.

Por onde andará o Senhor do Sono?

Fui dormir, sem falar com ela.

Podia falar alguma coisa, quebrar o gelo; mas havíamos brigado; e de acordo
com o manual do casamento, artigo 42, do parágrafo 6; depois de uma
discussão noturna, cabe ao marido e a mulher manter silencio e ignorar a
presença do outro, mesmo estando no mesmo cômodo, até a manhã seguinte,
quando um dos dois levantará a bandeira branca e pedirá desculpas.

Mas será que não seria melhor pedir desculpas agora mesmo? Pra que esperar
até amanhã, se podíamos fazer as pazes naquele instante e dormir tranqüilo,
voando pelo mundo do sono como um passarinho?

Não!!!

A culpa foi dela. Ou será que foi minha? Afinal, quem começara aquela
discussão boba que terminara em “vou ficar de mal”? Quer saber, não importa
quem começou; eu é que não vou pedir desculpas, mas porque ela continua em
silencio?

Cadê meu sono? Onde esta o Senhor do Sono que joga areia nos nossos olhos e
nos leva para o outro mundo? Será que ele está esperando que façamos as
pazes para nos convidar a ninar? Pode esperar sentado com seu saquinho de
grão de areia, pois se depender de mim, nenhum dos dois vai dormir essa
noite.

Mas porque não consigo esquecer essa discussão estúpida que não passa de um
grão de terra no terreno do nosso amor?

O que será que pesa mais nos ombros? O cansaço de um dia que se foi ou a
mesquinharia do orgulho ferido?

Cala a boca, Consciência!!!Estou de mal e ponto final.

São duas da manha e há um abismo separando eu e ela. Um cânion dividindo os
dois lados da cama. Não sou o Senhor Elástico, mas meu braço se estica alem
do meu orgulho e começa a atravessar o abismo e meu corpo se aproxima do
dela. Nossos corpos se tocam e o silencio é rompido pelo barulho do meu ego
quebrado:
“Meu amor – digo eu – já é dia no Japão. Como se pede desculpas em japonês
mesmo?”

02 de Agosto de 2005
Frank

Vidas Futuras Posted by Picasa

Vidas Futuras

A salvação viria com a terapia. Bloqueios, traumas e complexos estavam com os dias contados se ele tomasse o doril das vidas passadas; pelo menos era o que prometia o folder da loja Lenga-lenga.

Tudo que bastava era ligar pro 0800 ou preencher o cadastro no site nova-era.com; mas antes de ligar ou acessar a internet, ele precisava se informar um pouco mais sobre o assunto. Era esperto e não cairia em nenhuma cilada como ocorrera naquela terapia xamãnica de renascimento, em que precisou comprar um animal do poder e um colar xavante, que estava com a etiqueta da 25 de Março. Estudar o assunto evitaria não só micos como esse, como também o ajudaria a chegar à oficina sem cara de Mané que não sabe nada de motor.

Comprou então o kit vidas passadas que trazia como brinde o fascículo “bisbilhote também as suas vidas futuras”. O Dr. Bryan Uées era um PHDZ no assunto e o Cd que veio junto com o material o conduziu por mil e uma noites pelas escadarias da memória apagada; porem o máximo que ele conseguia com esses exercícios fora uma passagem direto para o sono profundo.

- Esse negócio de “Faça Você Mesmo” é uma furada – disse frustrado – Preciso de ajuda profissional. – concluiu, já discando o 0800 para marcar uma consulta para o dia seguinte.

O dia seguinte não tardou a chegar, o que não pode ser dito da Terapeuta que chegou com horas de atraso.

- Karma! – disse ao vê-lo esperando na recepção – Fiquei três horas presa na marginal. Karma de outra vida em que fui policial e não precisava parar no farol. Meu nome é Astrogilda – disse sorrindo.

- Orostáquio – disse, se apresentando com o primeiro nome que veio á sua mente; afinal se ela realmente fosse boa, descobriria que seu verdadeiro nome era Escolástico.

Boa, na verdade ela era. Tinha um corpo escultural e um rosto que lembrava um anjo com olhinhos bem capetas. Era perfeita, até sua aura era linda, pelo menos era o que mostrava as fotos Kirlian da moça na parede, junto com o diploma de Terapeuta de Terapia de Vidas Passada da Universidade Oculta do Conhecimento Esotérico.

- Venha comigo – ela disse abrindo a porta do cômodo onde um forte cheiro de incenso de canela o fez espirrar. Ele era alérgico a qualquer tipo de incenso.

- Está muito forte pra você? – ela perguntou preocupada.

- Um pouquinho – ele respondeu e ela abriu a janela. “Que curvas” ele pensou tão alto que o pensamento virou sussurro.

- O que disse?

- E.. está bem melhor agora. - corrigiu, já pensando em trocar as vidas passada por um vida bem presente com ela. Porem algo estranho ocorreu. A brisa e o traseiro da moça lhe trouxeram uma sensação que nunca sentira antes, uma sensação de Deja Vu, palavrinha francesa, que de acordo com o que ele tinha lido na revista Sétimo Sentido, tentava nomear aquela sensação de já termos visto antes algo, alguém ou algum lugar quando na verdade, nunca vimos aquela pessoa ou estivemos naquele lugar. Sensação que os céticos descrevem como reação química inadequada ou Falha na Matrix, como preferem os mais moderninhos.

- Você já fez isso antes? – Astrogilda perguntou, colocando seus óculos, ato que ele achou extremamente sexy.

- É a minha primeira vez – ele respondeu e foi invadido por lembranças. Aquele consultório deveria mesmo ser dos bons. Dez minutos por lá e ele já estava lembrando um dos episódios mais traumáticos de sua vida que ele havia esquecido completamente. Lembrança essa que envolvia uma garrafa de cachaça, uma velha prostituta com cara de traveco; camisinha rasgada e uma espera angustiante pelos resultados dos exames de HIV que ele faria na manhã seguinte à noitada.

- Por que você quer fazer TVP? – ela perguntou enquanto colocava no estéreo um Cd da Enya.

- Porque quero tentar entender melhor certos traumas que tenho e vencer limitações psiquicas que me impedem de crescer espiritualmente – ele disse, repetindo palavra por palavra o que lera no livro do Dr Uées.

Algumas respostas brilhantemente decoradas depois e Escolástico deitou no divã, desejando que em breve, estivesse deitado em outro lugar, com Astrogilda lhe acompanhando.

- Muito bem! Vamos começar...

Ele fechou os olhos, respirou fundo, tentou pensar numa ilha deserta, mas a imagem da velha prostituta surgia a todo instante. O que não era de todo mal, a lembrança do rosto dela o ajudava a evitar uma situação constrangedora que parecia eminente, se Astrogilda continuasse tão perto dele.

- Erga o pensamento e pense no Altíssimo ou em algo que você considere ser bem bonito. Algo que possa elevar as suas vibrações.

Elevar as vibrações? Será que ela estaria louca de pedir algo assim pra ele, tudo o que ele precisava naquele momento era baixar as vibrações. “Volte a pensar na velha prostituta” ele ordenou a seus pensamentos e estranhamente passou até a lembrar da voz dela...

- Se deixe levar pelo som da minha voz... – dizia Astrogilda e ele foi se acalmando cada vez mais. Relaxando e entrando em transe. A sua respiração foi ficando cada vez mais compassada e a voz de Astrogilda foi ficando cada vez mais distante á medida que ele ouvia novos sons e imagens. Será que ele estava acessando seu passado? Será que ele estava realmente conseguindo fazer a regressão?

A voz de Astrogilda foi diminuindo cada vez mais e outra voz foi surgindo no lugar, cada vez mais alta e familiar. Cada vez mais próxima. Cada vez mais perto dele, tão perto que ele começou a ver imagens, que foram se transformando em sensações muito mais físicas do que ele estava esperando sentir.

- Venha meu Leãozinho – disse a velha prostituta, se despindo a sua frente.

- Aahhhh!!!! – gritou Escolástico totalmente presente no seu passado.

Ele estava lá na sua iniciação sexual; na sua primeira vez com a prostituta que parecia um traveco. Quis gritar e pedir que Astrogilda o trouxesse de volta, mas não conseguia. Sua terapeuta parecia não estar lhe ouvindo. Como era mesmo o nome dela?

Ele estava ali no seu passado. Como escapar? Como escapar daquela lembrança? Por que não lembrara do seu primeiro beijo no bailinho da escola? Ou o primeiro salário em dólar? Onde ele podia trocar de canal?

Assustado, ele se afastou da prostituta que não entendeu o que estava ocorrendo.

- O que há meu querido, não quer terminar o trabalho?

- Sai pra lá, você nem está aqui, você é apenas uma imagem do meu passado.

- Eu posso ser o que você quiser desde que eu receba meu dinheiro no final.

Havia algo errado, ela estava concluindo, aquilo tudo parecia ser muito real pra ser apenas uma imagem do seu passado. A velha continuava lá, o gosto de cachaça na boca também. E a camisinha no bolso...

- Isso mesmo, Leãozinho, venha para a sua Orostáquia!

A camisinha estava no bolso, ele não tinha transado ainda. O passado era presente. Ainda havia tempo e ele correu dali, como se corresse pela sua vida. Enquanto corria, ele ria ao mesmo tempo em que não entendia nada que havia rolado. Já na rua, tentando respirar depois do esforço, do riso passou a gargalhada com aquela situação ridícula. As lembranças da sua suposta consulta com a Terapeuta foram enfraquecendo, quase sumindo. O futuro que era presente foi sumindo, como lembrança de sonho, como se o que era tão nitido e lucido passasse a ser algo totalmente confuso.

- Cara, o que rolou por ali? – perguntou a si mesmo, mas não havia nenhuma resposta. Seja lá o que tivesse ocorrido naquele lugar tinha ajudado ele a não cometer aquela burrada. Sim, ele ainda era virgem, mas não custava esperar um pouco mais pela primeira vez, já pensou se a camisinha estourasse?

Frank
09 de Janeiro de 2006

Ps: Esse é apenas um conto sem qualquer critica ou tentativa de fazer humor barato em cima dos Terapeutas de Vidas Passada que conheço (um deles é a minha querida amiga Elô, a qual estimo muito). Trabalho esse, bem bacana, que esses Terapeutas vem fazendo nessa área.

O conto caiu em cima da minha cabeça ao conversar com um amigo recentemente que comprou o novo livro do Dr Bryan Weiss e começou a fazer as praticas do livro. Algumas semanas depois, ele desistiu, dizendo que tinha visto o rosto de uma mulher com quem estava fazendo amor no futuro que lembrava um travesti. Brincadeiras a parte, ele me autorizou a usar sua experiência para eu escrever essa brincadeira.

segunda-feira, janeiro 02, 2006


Minha Bruxinha nas Cachoeiras de S�o Tom� Posted by Picasa

Ver Pra Crer

Toda vez que digo a meus amigos que estou de partida para São Tomé das Letras, tenho a impressão que no lugar do professor de inglês, eles vêem um hippie com uma mochila de artesanato no ombro, uma garrafa de vinho numa mão e um baseado na outra.

- Adoro a natureza. – digo

- Sei. – eles respondem em uni somo.

Não que haja algo de errado com o sujeito que adora uma erva ou prefere viver o sonho da sociedade alternativa, o problema é que o lugar virou sinônimo muito mais de maluco do que de beleza. É conhecido muito mais por ser pista de aterrissagem para ET do que por suas cachoeiras e natureza. O que não é de todo ruim, a propaganda e o estereotipo ajuda a preservar o lugar.

A primeira vez que fui a São Tomé não buscava um encontro com um elemental; nem muito menos buscava um atalho para Matchu Pitchu; o que realmente me interessava por lá era a paisagem que parecia ser perfeita para um romance que na época escrevia.

O livro nunca saiu do papel, em compensação fiquei fascinado pelas ruas de pedras de São Tomé e por aquela gente simples que morava por lá, com seu olhar tolerante as chaminés alucinógenas e a turma da garrafa que desde os anos 60 invadira o lugar com a bandeira verde da paz e do amor.

Na segunda visita, tive um contato imediato de primeiro grau com uma bruxinha que se tornaria minha esposa anos depois. Tenho uma divida eterna com São Tomé e dizem que é Santo Antônio que ajuda solteiros encalhados.

Outras visitas ocorreram com maior ou menor intensidade, mas pra mim virou uma espécie de tradição passar a virada do ano por lá e posso honestamente dizer que não trocaria a passagem de ano em São Tome por nenhum outro local do mundo.

Tem gente que prefere pular sete ondinhas no mar; eu prefiro muito mais dar sete pulinhos na cachoeira. Vai ver sou mais filho de Oxum que de Iemanjá ou a Cidade das Pedras realmente me conquistou com seu jeitinho de interior com toques de Woodstock e cheiro de mar; com a sua natureza exuberante e seu céu noturno recheado de estrelas.

O que mais posso dizer? Tem algo em São Tomé das Letras que rima com energia e boas vibrações, mesmo com tanta fumaça que não se mistura na bruma que cobre a cidade, enquanto todos dormem. Têm algo romântico, por ter sido o local mais inapropriado do mundo para achar outra careta que não tolera nem bafo de cerveja. Por isso e por tantas outras coisas adoro voltar pra lá. É ver pra crer e sentir pra ter certeza.


Frank
02 de Janeiro de 2006
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