quinta-feira, dezembro 22, 2005


4 Sobrinhos do Francisco Posted by Picasa

quarta-feira, dezembro 21, 2005

4 Sobrinhos do Francisco (um Conto de Natal)

Ainda sou filho, mas ando fazendo estágio para ser pai. Como sem querer, acabei ficando para titio; o que não me falta é sobrinho. São cinco: Lucas, Larissa, Marcus, Vitor e Guilherme. Com os quatro primeiros, me aventurei numa jornada: assistir o último filme do Harry Potter.

Queria ter esse momento tio-sobrinho, mas para ir ao cinema era uma epopéia. Não tenho carro, não dirijo e não tenho lá muita prática em administrar uma galerinha em que o mais velho tem nove anos, mas tenho experiência em gerenciar conflito, supervisionar equipe e foi assim que me preparei para essa tarefa. Encarei tudo como um grande desafio e embarquei nessa jornada, passando na casa de cada um e os reunindo.

A bagunça era geral, a gritaria intensa. Eu no meio da bagunça, tentava em vão manter todos comportados. Nada como uma experiência como essa para começar a ter duvidas quanto a querer ser pai mesmo. Porem, embora eu estivesse nervoso e tenso, as crianças estavam se divertindo.

- Tio, relaxa! – disse Larissa – Vamos obedecer ao senhor direitinho!

Devia estar dando muito na cara que estava tenso. Mas mesmo embora eu esperasse o pior daquela trupe, tudo correu muito bem. Brincaram como qualquer criança deve brincar. Gritaram e bagunçaram como qualquer um na idade deles faria. Eu é que parecia não estar aproveitando.

O que era uma pena. Eu havia pedido a Deus pra estar ali; para ter essa oportunidade de participar da vida deles. Tendo vivido por quatro anos em Londres, não os vi crescendo, nem pude levá-los ao cinema; não tive tempo de ser tio e agora que tinha a chance nas mãos, estava perdendo o melhor que ela poderia me oferecer que era contentamento. Estava muito preocupado que algo pudesse acontecer com eles, que alguma coisa desse errado ou sei lá mais o quê.

Foi então, no meio desses pensamentos e preocupações que lembrei que já fui sobrinho saindo com o tio pra ir ao cinema.

Tinha sete anos e lembro que pedi ao Papai Noel para ver o ET. Não, não pedi ao bom velhinho, um contato de terceiro grau com alienígenas, apenas queria ver o filme que todos os meus amiguinhos já tinham assistido. Na época, meus pais mal sabiam o que era cinema; alem disso custava muito caro. Mas o presente veio com o meu tio, que ao invés de me dar brinquedo ou roupa de natal, levou meus irmãos e eu para o cinema. ET já não estava mais em cartaz, mas assistimos os Saltimbancos Trapalhões. Ainda hoje lembro da sensação de ver pela primeira vez um filme na telona, a magia da imagem sendo projetada e os meus olhos mergulhando naquele mundo maravilhoso. Porem o que jamais esqueci é que aquela noite era a primeira vez que saiamos sem os nossos pais e isso para um bando de crianças era uma aventura em que tudo podia acontecer. Um verdadeiro presente do Tio Noel.

De alguma forma, eu havia virado meu tio e meus sobrinhos eram meus irmãos e eu. Eles já haviam ido ao cinema antes com seus pais, mas era diferente com o tio, eles podiam ser eles mesmos, poderiam se comportar como crianças deveriam se comportar. Eu é que estava bancando o pai e se esquecendo de ser o tio que eles mereciam ter. Assim, deixando o gerenciador de conflitos de lado e o controlador, diverti-me tanto quanto eles.

Brinquei, participei de suas brincadeiras, falei como eles falavam e com isso me integrei ao mundo que eles criavam sem deixar o adulto atrapalhar.

O trabalho foi virando aventura, a aventura virando diversão e finalmente entendi que não dá pra prever o que acontecerá em seguida ou qual será o próximo passo que eles irão dar. Numa ocasião como esta ou em qualquer situação na vida é necessário deixar rolar; aceitar a vida acontecer. Isso não significa ser negligente ou irresponsável, significa apenas que não podemos controlar tudo ao nosso redor e é justamente por isso que a vida é tão mágica e surpreendente.

No passeio com o tio, assistir ao filme do bruxinho inglês ou comer no Mcdonalds, era apenas parte da diversão de estar todos reunidos. Pra mim, mais importante que ter todos eles sob o controle, era poder estar lá, vivenciando aquilo.

No fim da tarde, eles nem quiseram ver o Papai Noel na pracinha do Shopping Center. Vai ver, já passaram da idade de acreditar no bom velhinho ou eles já estavam recebendo o presente que haviam pedido: uma tarde divertida com o tio.


Feliz Natal a todos

Frank

21 de Dezembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005


Viralatando Posted by Picasa

O Anjo de Quatro Patas

Quando a idade bateu em sua porta, trouxe junto à tristeza e o abandono.

Visitas, somente às testemunhas de Jeová aos Domingos; o telefone só tocava por telemarketing. Estar sozinho não é fácil em nenhuma fase da vida, mas na velhice era mortal. Ele precisava de companhia, mas os parentes estavam sempre ocupados para lembrar que ele existia.

Sentia pouco a pouco a vontade de viver se esvaindo. Acreditara que não sentiria nunca mais alegria até o dia em que um anjo de quatro patas surgiu em sua vida. Faminto, sujo, sarnento, ele tinha a perna ferida de tanto viralatar por ai e olhos carentes que chamaram a sua atenção e a sua vontade de ajudar.

Dizem que o amor de verdade nasce da vontade incondicional de se dedicar sem esperar nada em troca e foi assim que o amor entre ele e o anjo nasceu. O cachorro precisava de cuidados e ele queria cuidar.

Foi só uma questão de tempo para que a casa velha desse lugar a jovialidade do querer continuar. O anjo de asas caídas agora pulava que nem criança, seu rabo que estava antes perdido entre as pernas, voltou a querer o céu tocar.
O velho já não sentia mais as dores no peito, o cansaço que antes era todo dia, foi virando fim de mês e indo cada vez mais pra longe. O anjo de quatro patas havia lhe devolvido a vida e tudo o que ele tinha lhe oferecido foi um pouco de cuidado e um prato de comida.

Em pouco tempo,o velho rejuvenesceu e o cachorro trocou a rua pela amizade do homem e muito embora seus vizinhos lhe criticassem dizendo que não era certo tratar um cachorro como se fosse gente; o velho enxergava o cão como seu melhor amigo, um companheiro que Deus havia lhe enviado para lhe resgatar do esquecimento humano.


Frank

terça-feira, dezembro 13, 2005


O Velho Eu que resulta em Mim Posted by Picasa

O Velho Eu que resulta em Mim

Ontem acordei com uma vontade grande de só por um dia deixar de ser eu.
Explico: o meu projeto exigiria uma mudança radical de pequenos hábitos que julgo terem o poder de causar um extremo mal estar a longo prazo.

Comecei trocando uma hora de sono por uma corrida matinal e provei algo que só posso descrever como LUCIDEZ absoluta. Era como se o atleta chutasse o sonâmbulo e eu pudesse finalmente perceber que no meu dia-a-dia, mesmo acordado continuo dormindo.

Depois, antes de ir trabalhar, dei um longo abraço e um beijo de namorado na esposa que me olhou com surpresa, já esperando o carinho apressado de quem já acorda atrasado.

Durante o dia, tratei de evitar ao máximo pequenas mentiras, julgamentos apressados, preconceito e toda serie de pensamentos nocivos que viram herva daninha no quintal dos outros.

Ao fim do dia ao chegar em casa, após um belo banho, jantei prestando atenção apenas ao ato de mastigar. Descobri que quando os olhos não estão na tv ou na preocupação do dia seguinte, o sabor se maximiza na comida.

Depois troquei o jornal da onze da noite pela leitura de um livro que comprara há meses e nunca tinha lido e mesmo esgotado, fiz as minhas meditações. Resultado: cai no sono tranqüilo, dormindo tão bem que resolvi repetir a experiência no dia seguinte.

Quem disse que consegui...

Não tive o mesmo pique do dia anterior e voltei a ser o “velho eu” que resulta sempre em mim; mas não desisto, ainda terei mais uma chance amanha de mudar e aproximar mais ainda a distancia da versão cansada de mim do cara que fui ontem e que quero tanto tornar a ser.


13 de Dezembro de 2005
Frank
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 08, 2005


Agradecimento Posted by Picasa

A Importância de Agradecer

Tudo nessa vida tem preço, menos amor; por isso não damos o devido valor a quem esta do nosso lado, a quem tanto nos ajuda a cruzar essa ponte da existência na terra.

Quando algo custa caro e não vem de graça, temos a tendência de supervalorizar, de exaltar e dedicar todo o nosso tempo a isso. Porem, quando algo nos é dado de bandeja, normalmente cuspimos no prato e reclamamos que o que foi nos servido não estava bem passado.

Por que somos tão ingratos?

A questão torra minha mente, atormenta meu cérebro.

Não sei quanto a vocês, mas sou assim, aprendi a ser assim e venho tentando desesperadamente mudar esse “ser assim”.

Sei que soa clichê, mas assim como boa parte de vocês, só dou o devido valor a algo quando não o tenho mais. Vai ver Freud explica, Jung exemplifica, mas a verdade é que mil livros e milhões de teorias não vão conseguir mudar essa ingratidão. Essa mudança depende de mim, do que aprendi e do quanto estou disposto a pra frente ir.

Quero poder aproveitar melhor as oportunidades que caem como gotas de chuva na minha frente, mas percebo quanto mais oportunidades tenho, pior escolho. É quase como se eu estivesse pedindo pra Deus que as oportunidades desapareçam para que eu possa dar valor a única que me seja oferecida. A pergunta fica no ar: é preciso perder tudo o que temos, para podermos aprender seu devido valor?

Acredito que não e esse valor independi de pagar algo em retorno, não vai me custar nada, alem da cabeça do meu ego, misturado com um pouquinho de humildade e a pronuncia correta do verbo agradecer, mas agradecer de verdade.

Pensando nisso e profundamente inspirado por uma palestra que tive ontem, decidi treinar esse “agradecer” e queria começar agradecendo você por existir. Sim, você mesmo, leitor, que é a razão pela qual escrevo essas linhas tortas. Sim, você mesmo, meu Professor, que me ensinou a ler, a escrever, a discernir, a me projetar. Sim, você mesmo, Mãe, por me dar a vida e ter me ajudado a ser o homem que me tornei. Sim, você mesmo, minha esposa, por ter me ensinado a amar alguém alem de mim. Sim, você mesmo, meu inimigo intimo, por brincar de ser oposto comigo e ter me ensinado muito mais que eu havia pedido. Sim, o Senhor mesmo, Meu Deus, por tudo que me tem oferecido e juro que vou parar de só pedir, assim que aprender a ser agradecido.

8 de Dezembro 2005

Frank

terça-feira, dezembro 06, 2005

O Milagre do Reencontro

Quando um milagre acontece, a primeira reação é descrédito; a segunda é uma certeza que há uma força criadora por trás de tudo, força que usa “as coincidências” para se manifestar. É claro que não me refiro ao milagre do mar aberto ou da multiplicação de pães, falo dos pequenos milagres do nosso dia-a-dia, que nos arrancam sorrisos; pequenos milagres que nos fazem ver que cada um de nós carrega mesmo o céu consigo.

Ontem, um desses milagres me atingiu de forma inusitada. Reencontrei uma velha amiga em um lugar improvável. Ela deveria estar a um oceano de distancia e mesmo se estivesse em Sampa, não deveria estar ali, naquela hora, disputando à mesma oferta de emprego comigo.

As chances de um encontro com ela nessas circunstancias, segundo o matemático Oswald da Silva e a Numeróloga Maria Alcina é de 0,01 em um milhão, mas lá estava ela olhando pra mim tão incrédula quanto eu a olhava. A minha primeira reação foi querer me levantar de onde eu estava sentado e abraça-la, mas estávamos disputando uma vaga de emprego e não ficava nada bem dois candidatos se abraçarem no meio de um processo de seleção, alem disso, havia um abismo de anos de silencio e distancia; um redemoinho de mal-entendidos e um monstro de outros motivos que forçaram a nossa separação; porem o milagre do reencontro era mais forte que tudo isso e fui até ela que retribuiu o abraço na mesma intensidade.

Ah, como é bom abraçar novamente quem nos é querido. Abraçar sem medo de ser rejeitado, abraçar de verdade, coração com coração. Foi um abraço de maturidade. Um caminho para alem da mata do ego ferido. Exatamente como eu havia imaginado e sonhado esse reencontro durante as mil e uma noites do exílio da nossa amizade.

A oferta de emprego evaporou pelo ar como se só tivesse surgido como desculpa para que o milagre ocorresse. Então, fizemos o que todos os amigos de laços rompidos deveriam fazer ao se reencontrarem: conversamos.

A conversa durou uma caminhada do alto da Lapa até o Metro Barra Funda.
O mar não se abriu por completo, mas já estava ótimo o milagre de ter esse mar assim.

De tudo o que foi falado, discutido, explicado, gargalhado e chorado, ficou uma pequena porta aberta onde antes havia apenas um muro de concreto. A amizade não voltou a ser como era, não houve promessas de encontros futuros, churrasco ao domingo, nem chá da tarde; o que ficou no ar foi à esperança que o nosso exemplo pudesse ser seguido por todos aqueles que guardam rancor e raiva de velhos amigos e perdem a chance de aproveitar ao máximo o milagre do reencontro. A confiança já não era mais a mesma, já não iríamos nos telefonar todo fim de semana, mas o olhar distante foi virando olhar sorriso com chance de que no próximo encontro ela me chame de Fran ao invés de Francisco.

05 de Dezembro de 2005
Frank

sexta-feira, dezembro 02, 2005


Professores e Mestres Amigo Lazaro no IPPB Posted by Picasa

Aprender Ensinando

Ensinar é um desafio constante.

É ser bandeirante e abrir novos caminhos dentro da mente dos estudantes.

É ser humilde para entender que o conhecimento do assunto não o torna mestre do aprendizado.

Por vezes, os papeis se invertem, mestre vira aluno, aluno vira mestre. Outras vezes, claramente, se percebe que de tudo o que foi ensinado, nada foi assimilado, pois cada aluno tem seu próprio ritmo e nem sempre eles aprendem tão facilmente o que já virou lugar comum na geografia do Professor.

Por isso quem ensina, precisa rechear seu ensino com amor.

Amor pra aprender a ler olhares. Olhar de quem nada entendeu e olhar que recita sem ter decorado, a informação recebida.

Amor para escrever mais que o ABC na lousa. Amor para ensinar o alfabeto da solidariedade.

Amor pra imprimir no coração do estudante, lições de tolerância, respeito e humildade.

Amor para perceber com satisfação que a melhor nota que um estudante pode atingir não estará presente no teste escrito ou na prova corrigida e sim no sorriso de quem agradece ao professor mais uma lição de vida aprendida.


Frank

Ps: Dedicado a todos os Professores e Mestres que continuam aprendendo com seus Alunos.

quarta-feira, novembro 30, 2005


O Pastor das Flores/O Direcionador Posted by Picasa

O Direcionador

Seu nome era Zé das Flores. Era jardineiro da Praça da Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Amparando os canteiros, cortando as folhas, aguando as flores, Zé era conhecido por todos. Evangélico, não se importava em trabalhar nos arredores de uma Igreja Católica; sorridente, era o pastor das flores, Rei da grama.

“O Zé conversa com todo mundo, até com as plantas - conta o motorista de Táxi e acrescenta - É o único aqui que deve saber onde fica essa rua que você procura”.

- Seu Zé, boa tarde!- disse me aproximando.

- Boa tarde, filho. Aonde você quer ir?

Adivinho? Não! Seu Zé, alem de Jardineiro, ocupa o cargo de Direcionador de Pessoas. Conhece cada rua de São Bernardo como a palma do seu jardim.

- O Senhor conhece a Rua Tomé de Souza?
- Tomé de Souza – repetiu e três segundos depois respondeu – Pega a primeira à direita, depois a segunda à esquerda e sobe por ela. A Rua Tome de Souza é a terceira à esquerda.

É ver pra crer. Seu Zé sabia mesmo onde ficava a rua que nem o taxista conhecia. Rua que já estava registrada nas paginas amarelas da sua memória.

Tão logo agradeci, notei que outra pessoa surgia para pedir informação e outra e outra. Seu Zé continuou informando, com um detalhe: ele indicava a direção, sem deixar de fazer a sua jardinagem.

- Seu Zé – disse voltando a falar com o homem – Posso fazer uma outra pergunta?

- Pode perguntar – disse, sem tirar os olhos das flores.

- O senhor não se incomoda com tanta gente vindo pedir informação. Pelo que vi, é uma pessoa atrás da outra.

Seu Zé deixou de olhar as flores e me olhou com surpresa, mas logo respondeu:

- Não incomoda nadinha, filho. – disse Seu Zé sorrindo – Pelo contrario. Gosto de pensar que de alguma forma estou ajudando alguém a chegar ao caminho certo.


Frank
30 de Dezembro de 2005

segunda-feira, novembro 28, 2005

Ladrões de Sonhos

João veio do Rio, Jéssica de Minas. Conheci os dois na recepção de uma empresa de RH na Avenida Carlos Berrini. Fomos chamados até ali para uma entrevista de trabalho. O melhor de nos três ganharia o emprego dos sonhos e o salário das estrelas.
Pelo menos, essa era a proposta daquela empresa que havia selecionado os nossos cvs pela internet. João estava confiante, Jéssica nervosa e eu desconfiado.

A oferta era maravilhosa demais; o lugar muito perfeito. Muita pompa para uma vaga de supervisor de equipe. O nome da empresa me era familiar e não soava bem em minhas memórias. Não quis passar minhas suspeitas adiante, mas um instinto, uma voz interna parecia querer gritar em alerta: “É fria!”.

E era uma gelada.

Jéssica foi a primeira a entrar, ficamos eu e João conversando. Carioca da gema com roupa impecável e cara amassada, fruto de uma noite mal dormida na jornada de ônibus entre Rio e Sampa.

- Dormi muito mal! – dizia ele, com os olhos cheios de esperança em trocar a Cidade Maravilhosa por uma Sampa Enganosa que estava prestes a surgir a sua frente.

Quando vi Jéssica saindo da sala da entrevista tão rápido quanto entrou, não tive duvidas. Não havia alegria ou decepção nela e sim muita raiva. Era o “golpe da Agencia de Recolocação”.

Olhei para o meu amigo carioca e para os outros tantos Joãos, Franciscos e Jéssicas que esperavam e disse: “essa agencia é fachada. É mais uma agencia de
recolocação .”

Eles não entenderam e não se mexeram. Pelo olhar de João, percebi que ele ia ficar pra descobrir por si mesmo. Eu não ia ficar mais um minuto ali. Já tinha sido vitima de golpe assim antes, sabia que pagaria por um serviço de “coaching” que só existiria até o momento que o terceiro cheque caísse na conta deles.

Desci com Jéssica pelo elevador. Suas lágrimas desciam pelo rosto, mas a sua fisionomia era raiva pura.

- Eles me pediram dois mil reais – explicou ela – Dois mil reais para que eu tenha uma chance de disputar uma vaga para uma empresa que não tem nome. Como eles podem fazer isso? Por que não disseram que eles eram uma agencia de recolocação? Eu paguei um vôo de Belo Horizonte até aqui pra nada. – e continuou - Isso não se faz. Como eles conseguem dormir em paz sabendo que estão ganhando dinheiro enganando as pessoas?

Permaneci calado, mas sabia que eles dormiam muito bem com a cabeça sob seus travesseiros de dinheiro sujo, com a tranqüilidade de quem ganha muito roubando os sonhos de emprego dos outros. Porem, eu também sabia, que esse sono tranqüilo em breve iria se tornar pesadelo. Mais e mais profissionais estão acordando para esses golpes. Só aquela manha, dois sonâmbulos conseguiram despertar a tempo e eu espero que não só o João, mas todos os outros que estavam por lá, tenham conseguido sacar que agencia de emprego e RH só exige qualificação (e não dinheiro) dos candidatos que quer empregar.

28 de Novembro 2005

Frank

domingo, novembro 27, 2005


Ram Bahadur Banjan, "the New Buda"
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O Pai que falava musica com o Filho

A semana foi bem estranha. Noticias surreais pipocaram na mídia e em minha vida.

Um “novo Buda” surgiu no Nepal, na forma de um garoto que esta meditando a seis meses embaixo de uma arvore. O vaticano proibiu o show da Daniela Mercury porque a moça foi ou é estrela de um campanha de conscientização do uso da camisinha. Lula sendo ridicularizado (mais uma vez) por seu discurso new age no seu programa de radio, onde pede a popularização para ser mais otimista. Fora da mídia, um amigo me conta que finalmente conseguiu se comunicar com o seu filho autista, eles estão falando musica.

O falar musica para meu amigo surgiu quando ele percebeu que o menino que não se comunicava, gostava de musica e usava canções para explicar ao pai o que queria e sentia. Ele passou a usar essas canções como linguagem e suas caixas de CDS viraram dicionários, portais de linguagem com o garoto.

Incrível, não? Tão incrível quanto a igreja católica condenar o uso da camisinha num mundo em que Aids mata mais que a fome ou ridicularizarem o Presidente por pedir as pessoas que olhem pro lado positivo da vida. Não sou a favor do Lula e nem gosto de discutir política, mas prefiro acender uma vela a maldizer a escuridão e talvez seja por que esse mundo atual não sabe a diferença entre realistas e pessimistas que o moleque do Nepal calou-se para o mundo e esta em busca de seu Nirvana.

Também busco meu Nirvana e fujo (como o diabo foge da cruz) de gente que tenta contaminar a todos com seus discursos de fim de mundo. Por isso que de tudo que li e vi, termino ou começo a semana com a lembrança desse amigo falando musica com o filho, fato que me da esperança de que possamos um dia encontrar uma linguagem comum e nos tornamos realmente apenas um.


Frank

terça-feira, novembro 22, 2005

De Olhos Fechados

Manha de Terça-feira na Avenida Paulista, meus olhos escaneiam prédios e pessoas.

Eu vejo executivos correndo apressados e canteiros floridos. Observo a tudo pela janela do ônibus lotado de gente que brinca de sardinha e tentam desafiar as leis da física ocupando dois lugares ao mesmo tempo.

Vejo arranha-céus e camelôs com barraquinhas de café e bolo. Vejo o transito sair da ordem e começar a abraçar o caos. Infelizmente, vejo também que houve um acidente. Duas moças foram atropeladas e estão deitadas imóveis na avenida, enquanto os oficiais do Resgate tentam ajuda-las e ao mesmo tempo afastar a multidão.

Dentro do ônibus, a atenção e comentários tomam conta de todos.

- Foi culpa do motorista – palpita um passageiro.

- Elas que atravessaram fora da faixa – diz outra pessoa.

Ao meu lado, um velhinho ignora a tudo e fecha seus olhos. Pelo movimento dos seus lábios, desconfio que ora. Pela atitude daquele momento, onde o mórbido seduz os olhos de todo mundo, acompanho o velhinho e oro também.

Acidente em São Paulo é assim mesmo, enquanto uns atrapalham com curiosidade ou destilam comentários inúteis; outros rezam para que as moças se recuperem e para que acidentes assim não ocorram com tanta freqüência.

sábado, novembro 19, 2005


Ao Pai com carinho Posted by Picasa

Ao Pai com carinho

Ontem, pela primeira vez na vida, vi sua voz chorando.

Sua alegria habitual deu lugar a uma melancolia; o milagre do teu sorriso foi substituído por um lamento; sua voz risonha deu lugar a um grito de revolta por você não poder biologicamente ser pai.

Amigo, aprendi que ser pai é muito mais que biologia e química; ser pai é querer passar adiante tudo aquilo que há de bom dentro da gente. Lembra quando você me disse que se sentia um pouco pai ao assistir desenho dublado e jogar bola com os seus sobrinhos? Ser pai é um pouquinho disso.

É aprender a amar incondicionalmente. É devolver a bola que quebrou a janela porque já fomos filhos e tivemos as nossas bolas de futebol rasgadas por adultos que se esqueceram que já foram meninos.

Eu sei que para quem esta de fora é fácil dar palpite, mas medita nisso: o fato de você não poder gerar um filho, não significa que você não possa ser pai.

Ser pai é não ter medo da palavra “adotivo”. É lembrar que milhares de crianças foram biologicamente geradas e fisicamente abandonadas. É lembrar que elas anseiam pela chance de serem cuidadas; pois quem tem fome de família, não liga se pai é padrinho.

Você já ouviu falar por ai que mãe não é quem coloca filho no mundo, não é? Então acrescento, ser pai não é apenas gerar uma criança; ser pai é aprender a amar esses pequeninos que precisam tanto desse amor adotivo.

Certa vez me perguntei por que Deus permitia que tantas crianças fossem abandonadas no mundo; ontem você me deu a resposta e espero que a tenha também percebido e não tenha desistido do seu sonho de ser pai, que é dos sonhos, o mais bonito.

Frank

quinta-feira, novembro 17, 2005


Deixar Partir/Gaivotas sob o Rio Siena Posted by Picasa

Deixar Partir

De tão aguardada, quando enfim chegou; a recebemos de portas fechadas. Com certo rancor, com muita magoa; não queríamos que ela levasse o que julgávamos ser antes da hora marcada.

O Passageiro dessa jornada, da cama, cansado nos olhava e pelo olhar implorava “me deixem partir para a minha verdadeira casa”; analfabetos de bom senso e cegos de discernimento, entendíamos seu olhar como “quero ficar” e exigíamos que ele lutasse e não embarcasse naquela jornada que estava prestes a começar.

Percebendo que não compreendíamos o seu pedido, ele apenas um leve sorriso ensaiava, enquanto em toda a família o egoísmo disfarçado de amor reinava.

Nunca estamos preparados para morrer, menos ainda para a morte dos nossos amados aceitar; mas dava pra sentir que o passageiro queria seguir, mas não poderia ir, enquanto continuássemos implorando para ele ficar.

“Quem ama precisa aprender a libertar” era a mensagem que a morte tão repentinamente queria nos ensinar, mas como crianças emburradas, nos recusávamos a essa lição assimilar e prendíamos o Passageiro nas correntes do “nosso cuidar”, sem perceber que Quem o criou, tinha outros planos, que somente ele e ao Passageiro, dali em diante poderia interessar.

O seu sofrimento durou tanto quanto a nossa ignorância e seus olhos se encheram de esperança quando finalmente compreendemos o que não queríamos aceitar. O Passageiro então se despediu com um sorriso e entrou no vagão do trem rumo ao paraíso, deixando pra trás a sua lembrança em corpo caído.

Corpo caído, fotografia do corpo, para que pudéssemos lembrar que ele era mais que carne e osso e em suas veias havia algo a mais que sangue, que acabara de se libertar.

17 de Novembro de 2005
Frank

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terça-feira, novembro 15, 2005


Namorados Posted by Picasa

A Dona dos Olhos Meus

Tinha um compromisso marcado naquele fim de semana. Um encontro que começaria no sábado à noite com um show da cantora Fortuna no Sesc Pinheiros e acabaria num domingo a dois. Estava nervoso, queria ficar e fazer bonito; afinal a moça merecia:bonita, inteligente, espirituosa e bem sexy; era o tipo de mulher que você gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida. Ela era mesmo sensacional, ela era a minha mulher.

Namoro à moça há oito anos (oficialmente, por sete anos, diz o anel no dedo da mão esquerda). Não brigamos muito, apenas ficamos de mal de vez em quando como qualquer casal adulto. Ela nunca quebrou os meus CDS por ciúme, nem eu nunca fui comprar cigarros na Mongólia, quando ela me convida pra ir fazer compras no Shopping. Ate onde é possível somos amigos; quando a amizade começa a atrapalhar, viramos amantes.

Paris só foi Paris, porque ela estava do meu lado. São Tome das Letras só virou uma cidade mágica pra mim, porque foi lá que a conheci e ela disse sim.

Não fui tolo pra esperar que ela dizesse não e um ano depois troquei os campos da Espanha pelas ruas de Itaquera; troquei o Caminho Sagrado de Compustela, pelos olhos cintilantes da minha menina. E foi entre as estações da Zona Leste e as linhas da Zona Sul, que unimos o Norte e Oeste; envolvendo os quatro cantos numa cerimônia de amor em que o sol e a lua foram os nossos padrinhos e a mãe terra abençoou.

Como não tinha muito a oferecer, prometi minhas asas; ela aceitou e me ofereceu o céu para que pudéssemos voar juntos alem das religiões, das fronteiras, da sociedade, dos tabus e da família.

Sim, oito anos passam correndo quando a esposa ainda é namorada e mesmo depois de quase uma década, ainda me olho no espelho, antes de encontra-lá e pergunto:
- “Espelho, espelho meu, me ajude a ficar atraente para a dona dos olhos meus. Se não ela acaba fugindo com algum Ricardão metido a Romeu.”

Por vezes o espelho ajuda, outras vezes me produzo todo e finjo que estou indo para o nosso primeiro encontro, como naquela noite que foi realmente um show. Ela nem ficou com ciúmes quando banquei o tiete e fui tirar fotos com a cantora Fortuna que autografava os CDs para os fans.

Domingo foi melhor ainda, porque esquecemos do mundo e ficamos entre um vídeo e outro, namorando e trocando olhares de amor, sem compromisso com os outros, sem atender ao telefone, sem almoço com a família ou cerveja com os amigos. Só eu e a dona dos olhos meus, sem pressa de fazer algo.

Estranho como ao lado de quem amamos fazer nada é fazer tudo. Todas as outras coisas se tornam pequenas, o mundo lá fora se cala diante do som de um abraço; e as declarações são feitas pelo olhar quando esposa e esposo olham um ao outro com olhos de quem quer namorar.

Frank

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segunda-feira, novembro 07, 2005

O Aparente e a Aparência

A cobradora da linha 4624 era uma moça loira, alta, cabelos longos e bem cuidados. Era tão bonita que os passageiros esqueciam o troco e as passageiras comentavam entre elas se a moca não estaria cobrindo a folga do tio.

A operadora de telemarketing que oferecia um produto qualquer era psicóloga e seu colega naquela central de atendimento era advogado.

O carteiro que enfrentava a chuva e o sol ardente, falava três línguas e estudava matemática no curso noturno.

O mendigo era poeta e completamente louco trocava seus poemas por moedas.

Personagens de uma São Paulo, onde nada é o que aparenta.


Moral da historia: Será mesmo possível julgar os outros ?


Frank

quarta-feira, novembro 02, 2005


Dia dos Mortos no Mexico Maiores informacoes e fotos no site: http://www.dayofthedead.com/
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Dia dos Vivos

Não quero voltar para as estrelas, antes de ver um mundo mais justo. Sei que parece utopia, sonho de hippie maluco; mas mesmo diante de tantos absurdos, ainda tenho fé nesse mundo.

Quero carregar comigo a lembrança de uma mulher assumindo o papado em Roma; quero ver o governo da China e o Dalai Lama apertando as mãos e concordando que terra não se possui, se cuida e se ama.

Quero estar vivo para ver o meu tio dar carta de alforria aos seus pássaros, depois de perceber que canto de passarinho livre é redondo, dentro da gaiola é quadrado.

Quero ler nos jornais que o ultimo homem bomba quase matou todo mundo com risadas ao explodir seu arsenal de piadas, pois compreendeu que um tornado de palavras é mais forte que uma chuva de pedradas.

Quero ver o moço no ônibus guardando o papel de bala no bolso ao invés de jogar pela janela; pois já compreendeu que seu pequeno gesto de respeito aos outros, faz uma grande diferença para a mãe terra.

Quero ver as pessoas trocando o Dia dos Mortos pelo Dia dos Vivos e como fazem os mexicanos,deixando pra tras cemitérios vazios e lotando ruas e avenidas; para celebrar que a morte não é tristeza, pranto e sim, apenas parte da vida e os mortos devem ser lembrados com alegria.

Quero acima de tudo, carregar no peito a imagem de crianças famintas por livros, com o olhar brilhante e mãos estendidas; esperando um novo conto, uma nova fabula, uma outra historia que lhes tragam esperança e alegria, pois somente a educação e o prazer da leitura servirão de ponte para que elas tornem meu sonho algo mais que uma utopia.


Frank

domingo, outubro 30, 2005


Combatendo as Cr�ticas com mais Trabalho Posted by Picasa

A Crítica Nossa de Cada Dia

Existe uma diferença bem grande entre crítica
construtiva e crítica destrutiva.

No primeiro caso, alguém com um pouco mais de
experiência sugere como seu trabalho pode ser
aperfeiçoado e no outro a intenção é clara: destruir
mesmo.

O primeiro crítico é difícil de encontrar, mas em
compensação o segundo...

Toda vez que surge alguém com uma grande idéia,
inspiração ou decisão , surge junto um crítico
destrutivo na jogada. Esse cara sai da inércia em que
vive com o único intuito de destruir teu ato seja ele
qual for, só para provar que a teoria dele é a mais
correta do mundo.

Nunca produziu nada, mas é craque em ensinar a maneira
certa de produção alheia. Nunca chutou uma bola de amor
no gol do mundo, mas é especialista em palestrar sobre
como quem tanto fala e expressa amor, nada sente.

Todos têm o direito de expressar o que sentem e pensam a
respeito de um determinado assunto, mas esse tipo de
crítico nada vem a acrescentar e sim apenas explodir uma
boa idéia, transformando-a em cinzas, só pelo prazer de
satisfazer sua vontade de Senhor Sabe Tudo.

O melhor meio de lidar com críticos assim, é
continuarmos trabalhando mais e mais, e jamais
desistirmos de jogar.

E lembre-se se há muitos desses críticos no seu caminho,
não há o que se preocupar. Como diria um certo amigo: ¨
Ninguém marca jogador perna de pau! ¨

Frank

quinta-feira, outubro 27, 2005


A Calda da Mae do Mar Posted by Picasa

Caçadores de Baleias

A bordo de um antigo baleeiro, os caçadores rumam para o alto-mar. Olhos
atentos escaneiam a água em busca do menor sinal daquela que e considerada o
maior mamífero do planeta. Abaixo do leme, o comandante conduz o barco com
um olho na tela do computador de bordo que filtra o mar ao nosso redor
tentando identificar a aproximação da Rainha do Oceano. Porem os arpoes e
armas foram substituídos por câmeras fotográficas e filmadoras e os novos
Caçadores não buscavam uma presa e sim a experiência de ver uma baleia.

- A primeira vez que a gente vê uma baleia, uma sensação de paz toma de
conta da gente, que e difícil por em palavras - disse uma senhora ao meu
lado. Ela era veterana desse tipo de turismo. Junto com o marido, um sujeito
mal-humorado ao seu lado, eles já tinham visto centenas de baleias por todo
o mundo. - Diante da visão de uma baleia a gente descobre o quanto somos
pequeninos.

- Pequeninos e vulneráveis- disse o marido- só espero que a baleia não
resolva brincar com o nosso barco. Essas águas geladas podem nos matar em
minutos.

Por um momento toda a mágica de procurar por baleias deu lugar a um
principio de pânico. Comecei a ponderar se realmente tinha sido uma boa
idéia ir ate ali. Eu não sabia nadar e seu soubesse ainda contar, o numero
de salva-vidas a bordo não era compatível com o numero de turistas. Morrer
congelado não era exatamente o meio de transporte que eu queria utilizar
para o outro lado ( como se eu pudesse escolher ).
Mas acabei chegando à conclusão que meu medo era um tanto infundavel, uma
vez que aquele barco fazia aquele passeio por anos.

- Eu costumava caçar baleias - disse o comandante, um sujeito franzino, com
barba feita e cabelos curtos, que não lembrava nada o estereotipo do
comandante de barco tipo Capitão Nemo – Minha vila costumava viver da pesca
da baleia. Essa era a nossa principal fonte de renda. Quando o governo
proibiu a caca, achávamos que iríamos passar por sérios problemas
financeiros, ate que o primeiro turista chegou e depois, eles começaram a
chegar aos montes, dispostos a pagar mais para ver as baleias, do que
ganhávamos com a caca dela.

Enquanto ele falava, lembrei de como o turismo pode ser bom para os lugares
visitados, se bem controlado e organizado. Lembrei também que toda vez que
lembrava das pessoas que caçavam baleias, os via como monstros insensíveis e
nunca como gente ganhando a vida. E claro que isso não justifica em nada a
matança de baleias que ate os anos 80 era tão popular que virou ate esporte,
em que milionários tiravam fotos ao lado do corpo do animal para mostrar aos
amigos como troféu, assim como provavelmente fizeram os seus tataravôs com
os animais da África. A caça era tão descontrolada que uma palavra logo
ficou associada a caca desses animais marinhos : Extinção.

Hoje em dias, boa parte dos paises no mundo inteiro assinaram o embargo a
caca a baleia, mas há paises como o Japão e a Islândia, que ainda as caçam,
sem contar inúmeros baleeiros que ainda cruzam o mar em busca da carne desse
mamífero que tem custos astronômicos do mercado negro.Caca patrocinada por
pessoas que ainda insistem no consumo de carne, óleo e todo tipo de produto
extraído das baleias. Porem, vendo aqueles novos caçadores, fez com que eu
sentisse esperança que a raça humana ainda não estava totalmente perdida na
ignorância. E claro que eu não estava tão otimista assim que alguém naquele
barco veria uma baleia tão cedo.

- Uma vez ficamos semanas tentando e nada.- disse o sujeito novamente,
jogando água fria nas nossas expectativas. Preferi fingir que ele falava
sobre a sua vida sexual e tentei ao maximo me afastar do casal e baixinho
rezei a Iemanjá que mandasse um de seus anjos do mar vir nos saudar.

Enquanto eu filosofava sobre as gotinhas do mar que pipocavam pelo ar,
olhando para baixo e se dando conta que são oceano; notei que toda a galera
foi para um lado do barco e o comandante gritou: Se não for um submarino, só
pode ser uma baleia!

Corri para tirar a minha foto, mas uma onda de pessoas impediam a minha
visão. Quando finalmente consegui atravessar a barreira humana e ter um
pedacinho da visão do mar, ouvi o comandante gritar de novo: Do outro lado!

Do outro lado, do lado em que eu estava, surgiu a Senhora do Mar. Enquanto
tentava novamente atravessar a muralha de gente, me xingava por ser tão
baixinho e por ter largado o meu lugarzinho. Mas lutei e mergulhei no meio
daquela gente, e quando finalmente consegui passar por outro lado, só deu
tempo de ver o rabinho da baleia acenando adeus. Tarde demais.

Ela não voltou à superfície novamente e eu não tinha conseguido registrar o
meu momento, mas eu pude ver ao menos ela se despedindo. Não era exatamente
o que eu esperava, mas ao menos eu sabia que elas ainda estavam por lá. Eu
sabia que elas ainda não tinham desistido de viver no mesmo mundo que os
homens.

Enquanto o barco retornava ao porto, tentei ao maximo fixar na memória a
minha experiência. No fim, a senhora no barco estava certa quando disse que
a primeira vez que a gente vê uma baleia sente algo indescritível. Eu que só
tinha visto um pouquinho já estava tão feliz, imagina o que sentiria se a
visse por inteira livre no mar.

Só espero que meus filhos possam também brincar de caçadores de baleias um
dia.


Frank
04 julho de 2004

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Notas:
Para saber um pouco mais sobre a situacao das baleias, ha um otimo site para
pesquisa:
http://www.pick-upau.com.br/mundo/baleias/baleias.htm

Enquanto relia os escritos acima, lembrei de um texto que escrevi sobre as
baleias em 2002. Acredito que os escritos abaixo completam essa pequena
homenagem a esses anjos maritimos, parceiros nossos de evolucao nesse
planeta azul.


Mãe do Mar

Você já ouviu o seu canto?
Majestosa, voa no oceano emitindo
os mais belos cânticos
Cada movimento seu e poesia
Cada som que produz ecoa pela imensidão inspirando
poetas, músicos e escritores a tentar descrever a sua
canção.

Você já ouviu o seu canto?
E percebeu como o nosso coração bate mais forte e os
nossos olhos se enchem d`água.
Alguns dirão que elas são apenas animais, outros dirão
que elas são nossas irmãs em evolução, mas para elas
pouco importa a opinião dos homens, pois continuarão
voando pelo azul infinito do seu mundo e cantando pelo
simples prazer de viver, lembrando ao homem que ha. muito
o que aprender com aqueles que chamamos de "animais".


Somos Todos um Só
Frank

quarta-feira, outubro 26, 2005

Adolescentar

Ontem eu vi minha juventude passar por mim, no momento em que desejei ser mais velha, estar em outro lugar, ter outro corpo ou simplesmente deixar de ser assim; como eu sou, com me tornei, como o mundo me formou.
Então percebi que estamos sempre preocupados em ir pra frente e não desfrutamos o ficar aqui, o estar presente, o viver realmente esse meu adolescentar.
Percebi que estava deixando a magia pelas minhas mãos escapar como areia da praia, como água corrente que não consigo segurar; tudo isso por minha ansiedade em não conseguir pelo amanha esperar.
Senti que o meu aqui e agora, meu presente foi ficando assim distante, ausente; enquanto quem ainda não sou, lá do futuro, parecia me acenar.

Se já fosse eu, o amanha, perderia a chance de experimentar cada etapa desse meu despertar.
Não ouviria a melodia da harpa que se espalha pelo ar toda vez que estou próxima de por quem vou me apaixonar.
Perderia a chance de encenar o teatro de “Pais e Filhos” em que muitos dos conflitos só ocorrem para nos aproximar.
Perderia o riso nos encontros com as minhas amigas e aquele sorriso de menina boba a cada nova descoberta que compartilhamos uma com a outra.
Perderia, sobretudo, as canções que marcarão esses belos momentos da minha vida, que o “eu do futuro” tanto gostara de cantar e recordar.

Mas, graças aos céus, voltei do espaço e cai na terra e posso ainda ser pequena, imatura e não tão esperta, mas gosto desse meu ser, desse meu estar, desse meu adolescentar; pois daqui sinto que meu horizonte é gigante e o meu potencial vai longe, alem das curvas de quem eu sou e daquela que irei me tornar.



Frank

For�a Verde

 Posted by Picasa

Força Verde

Desligou a moto-serra por um momento e olhou pra árvore. Ela era gigantesca e parecia quase tocar o céu. Tinha uma beleza singular e ele teve a impressão que a árvore realmente era viva como diziam esses “doutores” do sul do país que volta e meia surgiam pelas redondezas para protestar ou tentar ensinar o povo daquela região como viver. O que eles sabiam sobre a vida dos ribeirinhos? O que eles, tendo crescido com todo o conforto da cidade grande, sabiam sobre alimentar dez bocas e sobreviver numa terra de ninguém?

Talvez soubessem uma coisa e outra sobre as árvores, mas não tinham direito de aparecer ali para atrapalhar a vida de quem tentava sobreviver no Amazonas. As coisas não estavam tão bem, alias, nunca estiveram; mas a seca tinha matado os peixes, a falta de chuva destruiu a lavoura e só restava o trabalho com a moto serra. A empresa do sul do país pagava mais por uma árvore caída que toda a pescaria de um mês.

Mas havia algo errado com ele, por que não conseguia ligar a moto serra? Era como se ele estivesse prestes a matar um bicho. Havia certa hesitação e havia tanto trabalho a ser feito, mas ele não parava de olhar para aquela árvore; era como se ela o tivesse enfeitiçado.

Por um breve instante, sua mente expandiu para alem do seu corpo, era como se ele voasse alem do tempo e do espaço, sentindo que o verde o envolvia por completo. Viu a floresta por cima e viu as árvores sendo arrancadas do solo, uma por uma.

Como se avançasse no tempo, não viu mais a floresta, mas um cerrado no lugar, com árvores rasteiras e arbustos. O Rio Amazonas tinham dado lugar a um córrego pequeno que esperava ansioso pelas chuvas que agora só caiam no inverno. De alguma forma, ele sabia que cada árvore derrubada influenciara na transformação da floresta em cerrado.

Lagrimas caiam do seu rosto ao compreender finalmente o papel do povo ribeirinho. Eles estavam ali para mostrar o mundo que era possível viver na floresta sem destruí-la. Era possível viver em harmonia com a natureza. Para viver na terra, os seres humanos precisavam compreender que destruir o meio ambiente era assinar sua própria carta de extinção. Ele tinha visto isso no cerrado deserto ocupando o lugar da floresta recheada de vida.

A sensação de pertencer a tudo se foi quando ele ouviu o grito do supervisor da empresa de madeira gritando seu nome:

- Acorda, Sebastião! Temos trabalho a fazer!

Tendo despertado do transe, ele olhou uma vez mais a árvore; mas em seguida ligou a moto serra e começou seu trabalho. Toda aquela "viagem" devia ter sido causada pelo calor, ele pensou, afinal algumas árvores não fariam diferença naquele oceano verde que era o Amazonas; alem disso, dez bocas o esperavam aquela noite e ele não as desapontariam.


Frank
26 de Outubro de 2005

sábado, outubro 15, 2005

Professores e Alunos

Dedicado a Vera, grande alma, grande professora.

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Professores e Alunos


Há professores e alunos, há mestres e aprendizes; mas o pior erro que
podemos cometer é não enxergarmos esses mestres e professores no rosto
daqueles que chamamos de você.

Informação se aprende e se esquece; conhecimento se adquire e se perde; mas
a sabedoria de um sorriso e as lições de respeito permanece cicatrizado no
peito e edifica nossos passos aqui ou em casa, multiplicados em quem caminha
do nosso lado.

Vera, a gente acerta, a gente erra. Inicia caminhos, sente medo de conhecer
o que há alem das montanhas e por vezes, tropeça; mas são pessoas como você
que nos ensinam a ter coragem e força de vontade pra continuar, independente
das circunstancias, independente da idade, rumo a onde queremos chegar.

Você foi a nossa instrutora nessa empresa* e quem conseguiu ver em seus
ensinamentos mais que números e produtos, mais que palavras e letras; vai
carregar consigo adiante, não como fé, mas como certeza; que podemos ser
profissionais competentes sem tratar os outros como números, sem tratar os
outros com frieza.

A vida é curta e nem sempre conseguimos manter do lado, aqueles que nos são
queridos. Pessoas passam, rostos são esquecidos; mas as lições que
aprendemos um com o outro fica pra sempre conosco; por isso obrigado Vera,
obrigado amigos.


Frank


* Participei de um treinamento recentemente numa empresa e tive a chance de
conhecer a Vera. Dessa experiência, o que ficou foi muito mais que
conhecimento sobre produtos ou serviços. Dai essa homenagem nesse dia tão
importante para esses almas tão bondosas e pacientes.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Armado de Risada

Diante de uma arma apontada para a minha cabeça, senti o quanto frágil era a
minha vida e o quanto eu tinha medo de morrer. Anos e anos de estudos
espirituais eram folhas de outono caídas na estação do meu medo.

Tudo tinha cara de primeira vez. Meu algoz tremia e não era pelo frio,
parecia mesmo que ele nunca tinha roubado alguém à mão armada; eu,por outro lado,nunca tinha sido roubado antes com uma arma tão próxima,tão perto que
dava para ver o cano brilhando, as curvas do revolver novo.

Dizem que você vê toda a sua vida passar a sua frente, quando se esta cara a
cara com a morte; eu vi a vida que não viveria; o próximo segundo que aquela
arma me roubaria se fosse disparada tão perto.

Ele só queria minha carteira, eu só queria continuar vivo. Ele tremia e eu
continuava orando aos céus para que ele não abrisse a carteira, pois veria
que só havia dois reais e trinta centavos que mal pagavam à bala que ele
usaria na minha cabeça se descobrisse quanto eu tinha.

Passei minha carteira em câmera lenta e ele acertou meu rosto em câmera
rápida. Ele fugiu com meus trocados e ficará eternamente humilhado por ter
se arriscado por tão pouco; assim como eu ficarei eternamente humilhado por
ter pedido carona no ônibus para voltar pra casa.

O orgulho doía mais que o meu rosto. Então, dentro do ônibus, ensaiei minha
vingança, imaginei os detalhes. Não adiantava correr atrás do ladrão que
roubara meus dois reais e trinta centavos; mas eu conhecia alguém que
conhecia outro alguém que tinha um amigo que vendia armas.

Precisava me armar. Precisava me defender. O próximo ladrão que tentasse
roubar esse neguinho franzino teria uma grande surpresa.

Visualizei a cena, atuei como Charles Bronson e Clint Eastwood; o ladrão
sentiria o gosto do meu Dirty Harry. Ri sozinho, como um desses gênios
diabólicos dos desenhos animados que querem conquistar o mundo; mas a
historia foi mudando e contra a minha vontade, cenas novas foram surgindo.
Virei uma marionete, um ator nas mãos de um roteirista moralista e
implacável que escrevera um final alternativo para a minha historia de
vingança. O meu justiceiro caiu no chão e o ladrão ganhou a batalha. Não
morri (mocinho não morre), mas a arma continuou na mão do ladrão, fazendo
vitimas que não tiveram a mesma sorte que o mocinho; que de certa forma,
passou a ser tão responsável quanto o bandido, pelo sofrimento ou pela morte
do outro.

A verdade é que não sou um justiceiro e nem farei parte desse ciclo. Sei que
a arma só me fará mais vitima do que já sou. A carteira se foi, mas eu
continuo vivo e isso é o que basta. Tenho o meu segundo de vida que pedi a
Deus e não vou desperdiçá-lo ajudando a colocar mais uma arma na rua que
cedo ou tarde acabará nas mãos de um criminoso.

Foi pensando nisso que me dei conta algo que havia esquecido: eu ja estava
tendo a minha vinganca. Lembrei novamente do ladrão e subitamente meu rosto
sério e abatido foi dando lugar a um semblante bem descontraído. A cara de
criança emburrada que perdeu um brinquedinho foi dando lugar a um sorriso
peralta.

Quem me visse no ônibus jamais imaginaria que eu tinha acabado de ser
roubado, pois até chegar em casa, fui dando gargalhadas ao imaginar a cara
do ladrão olhando a carteira roubada com meus dois reais e trinta centavos.


Frank

29 de Setembro de 2005

quinta-feira, setembro 15, 2005


Eu e meu Sobrinho Lucas Posted by Picasa

O que é, o que é?

Domingo à tarde em São Paulo, estou voltando do cinema com o meu sobrinho Lucas.

Dentro da lotação, somos dois garotos, um de 31 e outro com quase 8, discutindo o filme que vimos e brincando de “o que é, o que é?”

- O que é, o que é, Tio? É o animal mais forte que existe? – ele pergunta,olhos brilhando, não da nenhuma pista, mas essa eu sei.

- O Elefante! – respondo e o garoto gargalha.

- Errou feio, Tio. É a baleia!

Olho para as pessoas na lotação e torço para que ninguém tenha ouvido o moleque dando uma surra no tio.

- Ok! 1 a 0, Lucas. – digo e preparo a minha pergunta:

- o que é, o que é? Parece estrela, mas não tem luz própria?

- A lua! – responde o moleque – 2 a 0!

Enquanto Lucas ria, notei que a Lotação começava a ficar cada vez mais abarrotada de gente e não demorou muito para que um principio de confusão surgisse. O motorista fechara a porta, antes de um rapaz descer. O rapaz começou a xingar e logo outras pessoas se uniram a ele e começaram a bater nas portas e janelas. Preocupado, temi que o pior pudesse acontecer, ainda mais quando começou um empurra-empurra. Porem, Lucas, estava completamente calmo e sorrindo me perguntou:

- O que é, o que é, Tio? Seria o animal mais inteligente da terra, se tivesse mais paciência?

Nem preciso dizer que o moleque ganhou de 3 a 0...

Frank

quarta-feira, setembro 14, 2005


Por do sol no Nilo Posted by Picasa

Ser e Deixar Por vir

A verdade do universo é tão simples quanto um mais um; o problema é que esquecemos como somar.

Não há mistérios, nem formulas complexas para descobrirmos porque estamos aqui; o problema é que ignoramos as lições das flores e não sabemos apenas ser e deixar o depois por vir.

Poderíamos alcançar a jóia sem precisar esticar o braço; mas preferimos usar bússolas, mapas, guias para chegarmos onde os olhos não podem ver, onde a razão não pode entrar.

Somos uma mistura bem interessante de bicho; temos asas que nos remetem as alturas e rabos que nos deixam presos na terra; mas o Criador foi tão inteligente que criou um paraíso que existe tanto em cima quanto em baixo;burros somos nós que apontamos pra cima, o que na verdade é portátil.

Eu queria ver a tua cara quando você descobrir que sempre esteve onde desejava tanto estar; por isso te escrevo essas linhas; não pra te ensinar,mas para que eu mesmo possa ler e lembrar que é melhor experimentar o seguir do que se preocupar em chegar.

Frank

14 de Setembro 2005

sábado, setembro 10, 2005


Dancarino Dervishe  Posted by Picasa

O Dançarino na Praça

Sexta-feira, uma da tarde; o sol ameaça com seus raios o dia que nascera frio e começara a esquentar. A Praça do Carmo, no centro de Sampa, esta repleta de gente que olha curiosa um Dançarino Sufi girando sem parar.

A musica islâmica se propaga pela praça.

Alah grita mais alto que Jeová, fazendo o protestante se calar, fechar a bíblia e também olhar curioso pro dançarino, que sendo observado por olhos estrelas, gira como planeta, na órbita da Estrela Maior.

Através dos movimentos repetitivos, o Sufi parece estar em transe e sua dança hipnotiza os curiosos, faz sorrir as crianças e leva ao transe alguns olhares que enxergam alem da dança, do Sufi, a porta para o Divino dos muitos nomes, de muitos caminhos.

Os movimentos do dervishe giratório vão cessando, enquanto o musica vai diminuindo; as pessoas vão despertando e trocam o silencio pela salva depalmas. O Dançarino abre os olhos e planeta se torna novamente estrela,agradecendo a platéia que durante a dança, eram apenas uma só constelação,onde até o protestante volta pra praça, mais inspirado, para continuar a evangelizar.

Frank

26 de Augusto de 2005

Notas: A apresentação do Dançarino Sufi ocorreu no pátio do Poupa Tempo, naPraça do Carmo, centro de São Paulo, nessa sexta-feira. A dança levou muito dos presentes a lagrimas, a maioria, gente bem simples, que nem sabia ao certo, a historia, o misticismo e religiosidade dos gestos sufis. Para eles,a beleza da dança bastava. Para eles a magia de observar algo tão diferentee envolvente, bastava.

sexta-feira, setembro 09, 2005

A Dona de uma Gaiola sem Grades

Era uma gaiola sem grades com dois passarinhos.

Suas asas não estavam cortadas e eles nem tão pouco pareciam serdomesticados. Não sou um especialista em aves, mas podia jurar que eles tinham a cor do céu e cantavam com sotaque de liberdade, pois seu canto não lembrava nada aquele velho cantar de cativeiro.

A Dona da gaiola não era necessariamente a dona do casal de passarinhos e sim uma amiga que servia comida e água e em troca os pássaros retribuíam comcanto.Jamais tinha visto gaiola assim.

Já tinha visto cativeiros com grades douradas e gaiolas de madeira nobre com poleiro de marfim. Já tinha visto cativeiros gigantes que “abrigavam” centenas de passarinhos e gaiolas tão pequenas que o passarinho mal conseguia pular de um canto pro outro. Mas nunca havia visto gaiola com grades de vento, onde os pássaros tinham o direito de ficar ou partir; de ir e vir.

- Voa tudo por aqui – disse Dona Joana – Canarinho, Sabia, Pardal e de vez em quando tem ate beija-flor. É uma benção, não é?

Sim, era uma benção, mas vinha da terra, do lugar onde vivem os homens que prendem animais em jaulas, pássaros em gaiolas e uns aos outros com o laço do egoísmo, sob a desculpa do “prender para cuidar”.

- Eu gosto muito de passarinho e ao perceber que muitos deles passavam aqui pelo quintal, pedi ao meu marido que fizesse essa gaiola sem grades – explicava Dona Joana, que morava até numa rua com nome de passarinho – Coincidência, não é?

Coincidência?

Não, Dona Joana!
Truque divino, para mostrar para a senhora e para esse peregrino que quem gosta de passarinho, não curte canto de presídio; pois canto livre de passarinho é muito mais bonito; não aceita algemas, grades, chantagens ou possessão; afinal, nada nem ninguém nos pertence e se tem algo que aprendi nessa estrada e que onde há coração há respeito, empatia e consideração. E isso não se aplica apenas para seres humanos, mas para todos os seres vivos que dividem esse planeta com a gente.

- A senhora nunca teve passarinho PRESO em gaiola? – perguntei, querendo saber o que não devia; querendo tentar ver alguma rachadura naquele jarro perfeito que era a Dona da Gaiola sem grades.

- Claro que já tive passarinho preso em gaiola. – explicou – Nasci e mecriei no interior; atirando pedra em passarinho, armando arapuca e dormindo sob um teto cheio de gaiolas com todo tipo de pássaro que a gente pegava no mato. A sorte dos passarinhos era que minha pontaria era terrível; o mesmo não podia ser dito sobre a pontaria do meu irmão que usava estilingue como ninguém.Um dia consegui acertar um passarinho.Era a primeira vez que eu acertava algo com o meu estilingue, mal podia acreditar na minha sorte; porem o bichinho morreu com o impacto da pedra e o seu corpinho ali no chao mexeu comigo.

Meu irmão pulava e ria, enquanto eu ajoelhada no chão, olhava o passarinho morto que até segundos atrás voava recheado com vida. Uma coisa é matar os bichos por necessidade, como fazem os índios; outra bem diferente é matar por maldade, sob a bandeira da ignorância e da imaturidade.

Naquele momento nasceu meu respeito pelos bichos e minha incapacidade de vê-los presos em cativeiro. Afinal, lugar de passaro é no céu, assim como o de peixe é no rio. Para mim, mais vale dois passarinhos no céu, que um preso nas mãos.

Frank

quinta-feira, setembro 08, 2005


Eu e meu Dedao Posted by Picasa

Rodeio ao Contrario



Levantem os chapéus para os bois e homenageiem os filhotes da égua, pois valentes mesmo são esses bichos que precisam dividir conosco o planeta Terra.

Como um Chiquinho de Assis; queria eu falar a língua dos animais para tentar explicar para eles o porquê da fama dos Peões e como os rodeios são tão populares. Mas como explicar algo inexplicável?

Como explicar a platéia lotada com tanta gente sorrindo com o que é feito para atrair e entreter a audiência? Como será Chiquinho, que eu explico pros bichos o que é ignorância?

Será que não há por ai um Sindicato dos Bichos, que explique para quem vai num rodeio ou num circo, o que ocorre com os animais em nome do show, em nome do riso?

Não, nem o sindicato, nem eu, nem o Chiquinho conseguiria convencer essa gente o quanto os bichos são mal tratados; afinal o importante é a diversão e é melhor ignorar, fingir não saber o que ocorre nos bastidores, no outro lado.

“Bicho nem tem alma!” Dirão os mais espertos” O que me importa se ele leva choque; pula tanto porque esta sofrendo ou se foi torturado?”

Ah, se eu pudesse falar a língua dos anjos ou dos homens, só pra dizer para essa moçada:

“Amigo do rodeio, moçada que adora a farra, deixa eu te contar algo novo, deixa eu te falar porque cada rodeio é uma roubada: a mesma vida que anima o boi ou da força ao cavalo, é a mesma vida que corre em suas veias e no coração dos seus amados.

Arrume uma desculpa para a carne na mesa ou pra jaqueta de couro no guarda-roupa, mas me diga será que esses bichos não merecem um pouco mais de respeito de quem tem alma? Será que é justo tanto sofrimento à toa?

É o seu ingresso que paga o rodeio, é o seu dinheiro que machuca o animal. Quer dançar, se divertir e usar roupa de boiadeiro, vá para uma fazenda, um show country, mas vê se para de aplaudir esse show onde à violência é o prato principal.”


Frank

quarta-feira, setembro 07, 2005

Bitucas

Bitucas

Ela deu uma ultima tragada.

Uma multidão subia pela escada do ônibus, enquanto ela tragava toda a nicotina que podia, como se aquele cigarro fosse o ultimo da sua vida; em seguida, jogou a bituca longe e sumiu dentro do ônibus, em meio uma cortina de fumaça que seu pulmão exalara.

Não sei o que houve com a moça, nem se aquela foi a sua ultima tragada; mas sei que fim levou a sua bituca de cigarro. Aquela mesma tarde, na mesma rua onde a vi entrar no ônibus, assisti pela TV, esgotos entupidos transformarem rua em rio; gente em peixe.

Culpam São Pedro, culpam o prefeito; mal desconfiam que o verdadeiro culpado foram os donos das bitucas, das latinhas, dos papeis de bala, dos jornais usados e das sacolas de plástico descartáveis que voam pela janela e entopem boeiros e fazem cair as lagrimas dos olhos de quem perdeu tudo, em mais uma enchente de verão na cidade grande.

Frank
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