sábado, setembro 02, 2017

Sobre Ejaculações e Injustiça

 

 


Essa tarde quase entrei numa briga ao ouvir um grupo de homens no metro fazendo piadas em relação ao caso recente de " estupro de uma mulher num transporte público". Falei um monte e quase apanhei, mas um insight apareceu, pois percebi que muitos desses tarados surgem da conivência e graça que alguns grupos de homens possuem com esse assunto. ISSO NÃO TEM GRAÇA!!! 


Por isso, venho em público, pedir desculpas a todas as mulheres, amigas, leitoras, em nome desses homens. Desculpas por todas as sacanagens, cafajetices,  violências mentais, emocionais ou físicas; mas peço desculpas, principalmente por todas as ejaculações desses homens podres que usam o transporte público para propagar suas atitudes doentias e todos aqueles que os aplaudem. Esses homens não nos representam, caras mulheres, eles não representam sequer a raça humana. 


Peço desculpas por esse imbecil que pela enésima vez cometeu um ato bárbaro contra uma mulher num ônibus; porém, não foi a ejaculação dele que nos estuprou a todos - e sim a ejaculação da justiça que permitiu esse demônio sair livre e continuar a agir. Peço desculpas pela ejaculação coletiva dessas rodas de bate-papo que fazem desses crimes - objeto de piada!!!


Mas, não vim até aqui, dizer o óbvio; todos já estão ofendidos, revoltados e com um gosto de injustiça sem igual em seus corpos e mentes ; esse texto é só para declarar que essa horda de imbecis ( tanto os que fazem essa merda quanto os que soltam e os que fazem piadinhas com ela ) continuarão por aí, mas vocês, mulheres, não estão sozinhas. ESTAMOS COM VOCÊs! 


Essa luta é dos homens também, de todos os homens decentes - pais, filhos, amigos, irmãos, homens de bem que não podem se calar diante desses assédios diários. Todos os dias isso ocorre no Brasil; todos os dias isso se propaga. Por isso, essa discussão precisa ser diária e não motivo de piada!!!  


Somos todos um só! Pois antes de sermos homens e/ou mulheres, somos humanos e juntos podemos equilibrar um pouco essa luta bizarra. A melhor luta é a educação e isso precisa ocorrer principalmente entre os homens, nas rodas de conversa, nos bares, nas garagens -  que entre uma cerveja e o futebol, possamos, como homens, não aceitar piadinhas sobre esse assunto, e que se outro maníaco, como esse cara, estiver entre nós, que ele saiba que sua doença não será aceita, elogiada ou sustentada. Tolerância ZERO com esses tarados!!! Chega de piadas e encorajamentos, hora de sermos menos macho idiota e mais homem humano. 


Compartilhe essa mensagem com seus amigos homens, precisamos ter mais caras discutindo isso em casa, ensinando aos seus filhos e amigos que esse mundo precisa se tornar um lugar melhor, e que se um de nós cair nessa tentação de achar que vai escapar depois de um ato assim;  que toda a nação Brasileira se levante e mostre que NÃO!!!! 


Mulheres: essa luta não vai se calar, pois é de todos nós!!! 


Homens: Chega de piadas sobre isso! Tolerância Zero!!!


#toleranciazero

sexta-feira, setembro 01, 2017

AMITABHA, O PARAÍSO NO PEITO


No meio de uma meditação, ouvi uma voz interior me pedindo que visualizasse um Buda no meu coração. Como sou um péssimo visualizador, esforcei-me ao máximo para imaginar o sujeito na posição de lótus irradiando paz, mas tudo o que consegui ver foi um sorriso gigante bem no meio do meu peito.

Tentei mudar o que via, mas quanto mais tentava, mas o sorriso parecia ficar nítido. Pedi desculpa a voz, e segui mergulhado naquela imagem, e comecei a perceber que ela parecia balbuciar alguma palavra. Segui mergulhado no sorriso e comecei a ouvir um som interior:

AMITABHAYA! AMITABHAYA! *
E a voz se repetia, continuando a pronunciar aquele nome e me convidando a repeti-lo também. Comecei a repetir mentalmente "Amitabhaya", e fui tomado por uma sensação de paz e tranqüilidade tão grande, que uma hora se passou em segundos.

A cada repetição, eu mergulhava cada vez mais numa quietude e tranqüilidade impressionantes. Então, passei a ouvir aquela voz novamente:

"Como já é de seu conhecimento, céu e inferno são portáteis, pois são estados de consciência internos. Você carrega dentro de si mesmo o seu céu ou o seu inferno por toda a sua jornada na terra.

Estamos sempre tão mergulhados em nossos dramas do dia-a-dia, que vivemos no inferno do estresse e do cansaço mental, no purgatório da dúvida e do sofrimento. E às vezes, o paraíso está esperando-lhe com as portas abertas, basta apenas uma mudança de atitude para percebê-lo dentro de você mesmo.

Retorne e conte aos seus amigos, que naqueles momentos de aflição e mergulho profundo no inferno da mente humana, que eles lembrem-se de que nos seus corações também mora o paraíso. Ele se chama ´AMITABHAYA´.

Basta cantar o seu nome algumas vezes, e qualquer pessoa levantará o véu do esquecimento e descobrirá o paraíso que cada ser carrega no peito."

O meu relógio foi tocando e fui voltando, meio a contragosto. Era o meu horário de almoço e tinha que voltar ao trabalho, mas aquele mantra ficou no meu coração por todo o dia.

"OM AMITABHAYA NAMAH" para todos!

quinta-feira, agosto 31, 2017

ÁGUAS DE OUTROS RIOS




Caminhando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, sob os olhos, chovem sinais do quanto só Jesus salva. Nas ruas do Cairo, de New Delhi ou de Bangkok, as gotas de salvação são águas de outro tipo, banhando o crente que acredita cegamente que sua fé é o único rio limpo que mergulha no Oceano do Deus de muitos nomes.
Tendo crescido sob forte influencia cristã, precisei percorrer o mundo para ver com meus próprios olhos, que, além da fronteira, o vento que soprava o nome de Jesus, por ali, grita o nome de Buda. E por mais que meus olhos se assustem com os deuses diferentes de tantas religiões e seitas, meu coração, que, como águia, vê mais adiante, notou que tão logo passamos a perceber outros quintais, o diferente se torna familiar, e o nosso rio passa a ser tão sagrado como o rio do outro, que, naquele canto, se chama Krishna.

Por isso parei de tentar convencer os outros da pureza do meu rio, troquei a fala pelas letras quando quero falar sobre algo que experimentei, pois sei que, pelo menos, a escrita abre espaço para interpretações individuais. É por isso, também, que sigo por esses quatro cantos, descobrindo e escrevendo o que sinto quando mergulho nos mares dos outros, afinal, ele pode falar B, enquanto eu falo A, mas fazemos parte do mesmo alfabeto de Babel, onde hoje sou Cristão, amanhã poderei ser Pagão, continuando a reciclar o aprendizado desses tantos rios, que um dia desembocarão no mesmo lugar.


Jerusalém, 23 de Fevereiro 2005.

quarta-feira, agosto 30, 2017

A ÚLTIMA VIAGEM XAMÂNICA



O som do tambor tocando,
O fogo crepitando, parece que canta.
O velho índio segue andando,
Para a sua última viagem xamânica.
Seus olhos contam histórias,
No rosto, as marcas da vida.
O velho índio, em cima da montanha,
Lamenta a batalha perdida.

Sua terra fora invadida,
Sua tribo, dizimada;
A pena, no chão, caída,
Revela a pedra manchada.

Ferido, mas ainda vivo,
O velho índio se arrasta;
Agradecendo ao Grande Espírito,
O que aprendeu nessa jornada.

Ele não entende por que
As coisas ocorreram assim.
Mas sorrindo sabe que
Há sempre um começo no fim.

Sussurrando sua última canção,
Ele se entrega à passagem;
Pois o caminho do coração,
Já havia lhe preparado para essa viagem.

O tambor então pára,
A floresta silencia;
O fogo rareia, apaga;
Nenhum passarinho pia.

Não há mais dor ou perigo,
Ao deixar o corpo-puma tombar.
Pois auxiliado por seus amigos extrafísicos
A alma-águia se projeta no ar.

E o tambor volta a tocar,
Pois o fogo da vida é infinito.
E os pássaros voltam a cantar,
A canção do velho índio reencontrando sua tribo.

segunda-feira, agosto 28, 2017

A SOMA

A SOMA



Quando eu fiz o catecismo, ensinaram-me que 1+1 era igual a 3.

Quando li pela primeira vez o “Livro dos Espíritos” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec me fez ver que 1+1 na verdade era 2.
Quando comecei a estudar religiões orientais, cheguei à conclusão, via “Bhagavad Gita”, “Alcorão” e “Torah”, que 1+1 era 11.

Quando finalmente estava satisfeito com a minha resposta, a vida pediu que o coração me informasse que todas as respostas anteriores também estavam certas.

Hoje, por esses caminhos espiritualistas e universalistas, estou começando a desconfiar que para certas somas não há respostas absolutas, principalmente quando fazemos a mesma conta usando como calculadora diferentes pontos de vistas.

domingo, agosto 27, 2017

A TERRA DAS TRÊS ESFERAS

Vivemos na Terra das Três Esferas.

Moldados pelo barro em que pisamos, e que somos, vivemos pensando nas esferas mais altas ou mergulhados na lama, que, por vezes, nos afunda.

Basta um pouquinho de lucidez para que queiramos voar e viver plenamente nas esferas que ainda estão além do alcance. Porém, por não termos capacidade de nos mantermos por lá, maldizemos e olhamos com rancor as esferas em que estamos inseridos, e acabamos por perder a oportunidade ideal de conhecer as bases - o necessário alicerce -, que usaremos para alcançar as esferas mais altas. Reconhecer e aceitar que estamos ainda vivendo nas esferas mais baixas é o caminho para o equilíbrio.

Não há nada de errado com a terra em que vivemos, e os nossos flertes com a lama fazem parte do aprendizado, mas o que precisamos sempre lembrar é que temos um grande potencial de ascendência.

O Grande Arquiteto Do Universo, que criou todas as esferas, construiu uma estrada perfeita, onde não é possível alcançar a sétima sem passar pela primeira. Daí ser fundamental, jamais perdermos de vista que é preciso viver bem na terra das três esferas, para chegar ao menos na esfera do coração.

Sábio é aquele que reconhece os valores das esferas mais baixas como aprendizado fundamental da nossa longa subida para a montanha do criador. Sábio é aquele que reconhece que ainda não sabe nada; mas isso já é conhecimento essencial para se viver bem enquanto ainda estamos por aqui; e é essencial para a longa caminhada para as esferas superiores.

sexta-feira, agosto 25, 2017

A PRIMEIRA VEZ

Para alguns é uma questão de fé, para outros é uma questão de sentir.

Fui criado sob a bandeira da fé; daí foi um passo bem natural cair de cabeça na crença dos outros, nos escritos, no disse-me-disse, na opinião alheia sobre o mundo espiritual; até o dia em que neguei tudo o que aprendi, e bastou colocar o “tico e teco” (como chamo os meus dois neurônios, que só pegam no tranco) para funcionar.

Havia perguntas que a fé não respondia, que o padre não falava, que mamãe e

papai ignoravam. Havia indagações que mesmo quem encontrar as respostas não era capaz de explicar, de descrever, ou compartilhar.

Havia a verdade a ser descoberta bem pertinho, alem do véu de Isis, e eu só precisava ter a coragem de dar o primeiro passo em sua direção.

E fui em frente... Toquei as estrelas e senti que a vida pulsava até nas lavas de um vulcão.

Voei pelo céu de São Paulo sem avião, sem helicóptero, e voltei para o corpo físico para contar a história, ou pelo menos tentar explicar algo que nem eu acreditava ser possível.

Era difícil explicar, descrever, explanar, colocar em letrinhas o que havia sentido. Só sabia que tinha sido real, não fora ilusão, falta de oxigenação no cérebro, hipnose coletiva, uso de maconha ou de chás alucinógenos. Contudo, como explicar a todos o gosto do céu e como era lindo o azul do lado de lá? Bem que tentei, mas só podia realmente fazer a todos o mesmo convite que me fizeram:

“Quer saber como é, corre, voa e vai provar por si mesmo!”

Depois daquela experiência, parei de ter fé e passei a ter certeza; a mesma certeza de quem ama sua mãe, sua esposa, mas sabe que mil presentes e cartões não conseguem expressar esse amor.

Hoje, lendo tantos relatos projetivos, vejo letrinhas nervosas formularem palavras que tentam explicar o inexplicável, descrever o que é indescritível, e lembro-me de que faz cinco anos desde a primeira vez em que voei para fora do meu corpo físico, e percebo que não sou o único louco tentando expressar a sua loucura de trocar a fé pela certeza, trocar o verbo dependente "acreditar", pelo verbo experiência "sentir".


(Aniversário de 17 anos da minha primeira Projeção Astral).
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